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Poeira

Abriu as janelas e deixou o vento entrar. A poeira se instalou nos cantos da sala, por cima da poeira já antiga que não tinha sido removida. Deitada no sofá de meias de lã e pijamas, ela encarava o teto com uma taça nas mãos. Deixa entrar. Leia o resto deste post

Ausências

Perdida no escuro, ela abriu os olhos. Não lembrava, exatamente, onde estava. Os olhos teimavam em ficar fechados e o sono estava ali. Ao mesmo tempo, sentia-se desperta e tentava, sem sucesso, colocar um pensamento atrás do outro em uma ordem lógica. Que horas são? Onde estou? Que barulho é esse? Leia o resto deste post

Fadas do Nunca

Fadas, levem-me de volta a minha Terra do Nunca.
Do nunca chorar,
do nunca sofrer,
do nunca crescer. Leia o resto deste post

Tranquilidade

Eu e meus sonhos estranhos com pessoas aleatórias. Desta vez, sonhei que chovia. Não era uma tempestade, era mais como a chuva fina e constante que cai durante grande parte do ano na cidade.

Lembro de sentir sono, muito sono. Arrastava as pernas enquanto descia as escadas e seguia o fluxo de alunos barulhentos. Os olhos mal conseguiam se manter abertos, mas conhecia tão bem aqueles corredores, que poderia andar por eles sem, de fato, vê-los. Além de um livro, carregava o antigo fichário preto, bordado em letras cor-de-rosa. Era um fardo pesado e eu estava cansada. Leia o resto deste post

Meu menino

Há um lugar em que passado, presente e futuro se confundem. O agora, o nunca e o talvez, jamais tomam forma. O dia, a noite, o nascer e o pôr-do-sol são tudo uma coisa só. O tempo não existe, as vozes são mais vivas e as imagens mais coloridas.

Os sonhos. Leia o resto deste post

Pessegueiro

Ela era alguém que nunca vi ao vivo. Não passa de pixels numa tela e de pensamentos aleatórios. Mas uma dor tão palpável por um motivo tão comum e ao mesmo tempo tão individual. A dor dela é ele… Meu ele!

Ele que, hoje, é minha dor também. Duas dores diferentes. Sinto falta do que ele poderia ter feito e ela sente falta do que achou que ele fez! Isso nos faz tão desconfortavelmente semelhantes. Temos algo em comum, nós o temos. Nosso ele!

Noite passada, sonhei compessegueiro em flor ela! Uma novidade pra mim... Contra todo o bom senso existente, sonhei com ela. Alguém que anda na contramão da minha via. Eu que sempre estive a léguas de distância do corpo dele, enquanto ela sempre esteve longe de seus pensamentos. Por muito tempo, uma teve o que a outra queria e nenhuma das duas jamais teria.

Sonhei que estávamos em uma varanda sem parapeito, no segundo andar de uma casa antiga. Sentadas no chão a balançar as pernas no vazio. Uma estranha sensação de distância, apesar da proximidade dos corpos. Observávamos o horizonte, através dos galhos de um pessegueiro em flor. Uma luz confortante em tons de amarelo, rosa e púrpura. O calor do sol a aquecer a pele e o vento a desanuviar a raiva latente.

Era o pôr-do-sol que eu planejara assistir com ele. E, no entanto, nunca sonhei… Assisti com ela! Sentada a seu lado, percebi que não era ciúme, era territorialismo. Não sei se trocamos palavras, não reconheceria sua voz. Não sei se ela sentiu o que senti. Nem, ao menos sei, se ela pensa em mim. Sei, apenas, da sensação de harmonia que senti ao encontrar uma alma irmã. Hoje, acordei livre… Acordei em paz!

Noite passada

Queria poder te ver. Que minha pele pudesse sentir o conforto de teus braços e minhas mãos pudessem tocar o que vejo de olhos fechados. Ver nem sempre traz o abraço e um carinho pode ser mais torturante do que um simples adeus. Mas noite passada, te imaginei, e hoje, eu estou conformada…

Queria poder te esquecer. Que minha imaginação pudesse parar de formar tuas imagens e meus ouvidos pudessem fingir que nunca ouviram teu sussurrar. Esquecer nem sempre traz a felicidade e uma lembrança pode ser mais reconfortante do que um telefonema inesperado. Mas noite passada, te abstraí, e hoje, eu estou controlada…

Queria não ter que acordar. Que minha mente não necessitasse do conforto que os sonhos trazem e meus olhos não se abrissem com o clarear na janela. Acordar nem sempre traz o repouso e uma noite bem dormida é mais rara do que o cantar do galo na cidade. Mas noite passada eu sonhei contigo e, hoje, eu trago a fé renovada…

Queria não precisar dormir. Que meu corpo não necessitasse de repouso e meus olhos não se fechassem de exaustão ao final de cada dia. Dormir nem sempre traz sonhos e pesadelos me assustam mais do que qualquer realidade. Mas noite passada, dormi contigo e, hoje, eu sonho acordada…

Queria que fosse assim. Que minhas vontades fossem fáceis de saciar e meus desejos tivessem ordens decrescentes. Ter nem sempre traz alegrias e satisfação não se compra na esquina. Mas noite passada, estive desperta e, hoje, dormirei sossegada…

Queria que não fosse assim. Que minhas saudades fossem sanadas e meus impulsos fossem fáceis de lidar. Sentir nem sempre traz satisfação e alegrias não se encontram na esquina. Mas noite passada, consegui dormir e, hoje, acordei aliviada!

Fada dos sonhos

Ela o observou por uns instantes, dormindo tranquilamente sob os lençóis. O sol escapava para dentro do quarto através das finas cortinas brancas, emoldurando-lhe o rosto e fazendo brilhar o cabelo loiro sobre o travesseiro. Tão relaxado. Quase infantil era o modo como seus pulmões se enchiam com o ar quente da manhã de verão.

Conforme ela chegou perto da cama em que, vezes sem fim, dormira aconchegada nos braços dele, pode ver o sol brilhar no loiro de outros cabelos. Não pode ver o rosto de sua dona, já que estava encoberto por seu braço, mas conseguiu definir uma pequena tatuagem de fada na escápula direita.

Sentiu um desconforto no estômago, como se um balão de ar tivesse sido inflado dentro dele até explodir. Somente tomou conhecimento do que acontecia quando um gosto amargo lhe subiu pela garganta. Ela correu para a porta da rua, batendo-a atrás de si.

Ele acordou com um barulho!

Parecia que alguém havia deixado algo cair, devia ser no apartamento de cima. O vizinho sempre deixava coisas caírem. Virou-se para observar o corpo da mulher deitada a seu lado. Nossa, como era linda! Abraçou o corpo pequeno e ela se aconchegou na curva de seu braço, parecia nem ter notado. Dormia profundamente.

Ele ficou ali quieto só sentindo o cheiro da pele, a textura do cabelo, ouvindo a respiração lenta e profunda. Tão tranqüila, dormindo entre seus braços e enrodilhada nos lençóis. Certamente o barulho não a acordara.

Algum tempo se passou até que ela se remexeu, suspirou e abriu um sorriso. Virou seu rosto para ele, tentando se desvencilhar dos enormes lençóis que a cobriam tão bem, que era quase impossível escapar deles. Ele sorriu também e a ajudou. Ficaram ali abraçados, de olhos fechados até que ela disse, com a voz rouca de quem acorda:

– Tive um sonho estranho essa noite. Sonhei que eu entrava aqui e tinha uma loira com uma tatuagem de fada no ombro. E vocês dormiam tão tranqüilos. Fiquei tão chateada que só consegui correr.

– É mesmo? Que sonho bobo… Impossível!

– Também achei, meu amor. Ainda bem que era só sonho. Não acho que sejas capaz de trazer uma mulher até…

– Não era fada… Era unicórnio!

– O que?!