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Tardes de menina

Sentada diante de um volante, presa no engarrafamento há 50 minutos, ela sentiu falta daqueles dias felizes da infância.

O pai e o tio trabalhavam juntos em uma oficina automotiva, só os dois. Então, no verão, a mãe a deixava ir com o pai para o trabalho. Sair do apartamento pequeno era bom. Ia com a irmã mais nova e a prima mais nova ainda. Deviam ter no máximo 4 anos e ela era a mais velha e, portanto, a responsável pelas duas pequeninas. Talvez não, mas ela gostava de pensar que sim. Leia o resto deste post

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Leve!

Eles eram diferentes. Sempre foram, mas não perceberam. Ou perceberam, mas fingiram não ser importante. Tinham um ou outro gosto parecido, mas tinham uma afinidade indiscutível: gostavam um do outro.

Sempre gostaram. Desde o primeiro momento em que se viram.Bom, pelo menos no momento em que ela o viu, gostou. Energia. Das boas, muito boas. Conversa vai, conversa vem. A coisa fluiu legal, sem pressa, sem pressão. Tudo ao seu tempo. Leia o resto deste post

Amanhecer

Amanhecer em São José do Norte, upload feito originalmente por Andria Ortiz.

Esta foto é antiga. Feita no feriado do Carnaval de 2007, em um dos lugares mais lindos que já vi: São José do Norte. Uma pequena cidadezinha do sul do Sul do Brasil que fede a peixe e a cebola. Feiozinha como a maioria das comunidades pesqueiras, mas um tanto bucólica. Povo simples e simpático.
Passamos um feriado delicioso em família. Choveu muito, o mar estava de ressaca,ventava demais, haviam muitas mães d’água pela praia e frio, muito frio. Praia era impossível. Celular só tinha sinal se nos pendurássemos pela janela de um dos quartos da pequena casa alugada na Praia do Mar Grosso. A solução? Convivermos em família durante dias a fio. Muito carteado, muita conversa e cobertores. É, gente! Faz frio no verão do Rio Grande do Sul.
Sol, mesmo, somente no último dia. Óbvio!
E essa foto foi feita as 6h da manhã, esperávamos a balsa que chegava de Rio Grande num esquema de “bate e volta”. Se clicares nela, cairás na página do Flickr onde está hospedada. Lá verás que foi feita com uma câmera compacta. Dessas que compramos em qualquer loja de eletroeletrônicos. Não conhecia nada sobre técnicas fotográficas, nem tinha um equipamento espetacular e, no entanto, ficou boa. Tratamento mesmo, só para avivar as cores.  Fotografia é muito feeling, muito coração, muito “a visão do artista”.
Acho que os dias de calmaria expandiram meu olhar, abriram minha cabeça e clarearam pensamentos. Neste dia, o mar se tranquilizou, o céu ficou azul e nós voltamos mais unidos. Um final de semana ruim para “veranear”, mas bom para amadurecer.
Em todos os sentidos!

Desejos

Ali estava ele, segurando um bolinho de chocolate com uma vela acesa no topo, perguntando:

— E então? Faz um desejo. O que você quer?

Ela olhou para longe e pensou na vida.

Era uma menina que tinha pais incríveis e irmãos meio chatos, mas todos eles são. Tinha amigos maravilhosos, como ele que estava a sua frente. Estudava em uma escola boa por esforço próprio e tinha uma vaga idéia do que queria para o futuro. Pra que se preocupar com ele, um dia acontece e vira presente. De grego, às vezes, mas o importante era saber lidar com as conseqüências. Leia o resto deste post

O tempo e o homem

Ele nasceu no interior e nunca conheceu a mãe biológica. A infância não foi fácil, mas ninguém sabe muito a respeito. Somente que foi adotado por alguém que cuidou dele, deu-lhe um nome, uma casa e amor. Cresceu sem registro de nascimento. Era mais um brasileirinho dos muitos que ainda não se conhece existência. Leia o resto deste post

Ausências

Perdida no escuro, ela abriu os olhos. Não lembrava, exatamente, onde estava. Os olhos teimavam em ficar fechados e o sono estava ali. Ao mesmo tempo, sentia-se desperta e tentava, sem sucesso, colocar um pensamento atrás do outro em uma ordem lógica. Que horas são? Onde estou? Que barulho é esse? Leia o resto deste post

Impecável

Roda Gigante

 

Roda Gigante, upload feito originalmente por Andria Ortiz.

Com você eu consigo enxergar bem mais longe
Fica tão colorido mesmo muito distante
Parece que o tempo todo passou nesse instante
O mundo inteiro girando como uma roda-gigante 

E eu não quero mais descer
Não tenho medo de você

Eu não preciso falar e você esta me entendendo
Eu só preciso te olhar e sei o que esta acontecendo
Até parece um sonho, mas estou acordado
Se estou com meus pés no chão posso voar bem mais alto

E eu não quero mais descer
Não tenho medo de você
Eu só preciso de você
Não tenho medo de me perder por aí
Para ouvir essa música da Cachorro Grande:

A permanência

Ela ficou.

Pensou muito a respeito e decidiu ficar. Disse não a proposta irrecusável de emprego e abandonara a grande oportunidade de sair da cidade natal. Ela sempre quisera ir, mas esse não era o momento.  A vida ali, não era a que ela queria, mas não se sentia pronta para deixar os pais, os amigos, o namorado e o conforto de sua casa. Leia o resto deste post

A partida

Ela foi.

Pensou muito antes de tomar a decisão, mas acabou indo. Todas as pessoas que lhe importavam diziam que ela deveria ir. Uma oportunidade dessas não bate duas vezes na porta, mas isso ela só entenderia muito tempo depois. Empregos não caem do céu e ela deveria ter desconfiado desde o inicio. O que vem fácil, vai fácil, não é o que dizem? Leia o resto deste post

A passarinha

Sempre gostei de aves. Na visita ao zoológico, o favorito foi o avestruz. O colega da escola tinha um papagaio desbocado! E o vizinho do outro lado da rua, era um velho meio ranzinza, mas tinha um tucano. Já viu um tucano de perto? É lindo! Aves são incríveis.

Num belo dia, minha irmã ganhou uma cocota, ou caturrita, como chamam aqui no sul. Logo foi batizada de Magali Wilson. Magali porque comeu vorazmente um pedaço de melancia que lhe foi dado, embora gostasse mesmo era de bergamota. E Wilson por parecer uma bolinha de tênis, quando se acomodava para dormir. Leia o resto deste post

Pretérito perfeito

Eu perdi, eu não vi, eu nasci… Na época errada!

Queria ter assistido Mattew Broderick “Curtindo a vida adoidado” na estréia nos cinemas. Ou cantar com Jon Cryer (muito antes de ser um pai divorciado e barrigudinho em Two and a Half Man) tentando impressionar a personagem de Molly Ringwald em  “A garota de rosa shocking”. E até, imitar o Tom Hanks pulando no piano gigante de “Quero ser grande”.

Eu poderia ter suspirado pelo Tom Cruise em “Ases Indomáveis”, em vez de assistí-lo reprisar, incontáveis vezes, na Sessão da Tarde. Eu não sou louca pelo Tom Cruise, nem o acho o mais gostosão de todos, mas eu gosto de motocicletas e raybans! Além do que, minha adolescência poderia ter passado sem o Nick Carter e seus amigos.

Eu era pra ter virado noites com Billy Idol, na década de 80 com Dancing with myself ou namorado ao som de “Eyes without a face”. Embora, meia de lurex, permanente no cabelo e esmalte fluor não sejam os meus favoritos, não me importaria muito, se tivesse sido ‘escandalizada’ com a Madonna e seus sutiãs pontudos.

Os anos 80, assim como toda e qualquer época, tiveram seus altos e baixos. Poderia passar horas aqui dizendo o que queria ter visto em seu lançamento. Podem achar bobagem, mas sinto que perdi uma parte da cultura POP. São as velhas saudades do que não vi, de um passado que não tive por uma questão biológica.

Eu perdi o pretérito perfeito!

P.S.: Pra compensar, vou dormir ouvindo “I melt with you” do Modern English e da próxima vez, falo do que perdi nos anos 70.