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A formiga e a cigarra

Era uma vez uma formiga carpideira. Dessas cujo trabalho no formigueiro é buscar coisas. Passa o dia a caminhar no sol para juntar coisas. Não pode ver um pedacinho de madeira podre, já corre pra buscar. Uma pedrinha reluzente? Boa pra carregar. Areia!!! Lindo, vou já levantar. Leia o resto deste post

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Alada

Perdoem a qualidade da foto, mas precisava registrar isso… Leia o resto deste post

Pessegueiro

Ela era alguém que nunca vi ao vivo. Não passa de pixels numa tela e de pensamentos aleatórios. Mas uma dor tão palpável por um motivo tão comum e ao mesmo tempo tão individual. A dor dela é ele… Meu ele!

Ele que, hoje, é minha dor também. Duas dores diferentes. Sinto falta do que ele poderia ter feito e ela sente falta do que achou que ele fez! Isso nos faz tão desconfortavelmente semelhantes. Temos algo em comum, nós o temos. Nosso ele!

Noite passada, sonhei compessegueiro em flor ela! Uma novidade pra mim... Contra todo o bom senso existente, sonhei com ela. Alguém que anda na contramão da minha via. Eu que sempre estive a léguas de distância do corpo dele, enquanto ela sempre esteve longe de seus pensamentos. Por muito tempo, uma teve o que a outra queria e nenhuma das duas jamais teria.

Sonhei que estávamos em uma varanda sem parapeito, no segundo andar de uma casa antiga. Sentadas no chão a balançar as pernas no vazio. Uma estranha sensação de distância, apesar da proximidade dos corpos. Observávamos o horizonte, através dos galhos de um pessegueiro em flor. Uma luz confortante em tons de amarelo, rosa e púrpura. O calor do sol a aquecer a pele e o vento a desanuviar a raiva latente.

Era o pôr-do-sol que eu planejara assistir com ele. E, no entanto, nunca sonhei… Assisti com ela! Sentada a seu lado, percebi que não era ciúme, era territorialismo. Não sei se trocamos palavras, não reconheceria sua voz. Não sei se ela sentiu o que senti. Nem, ao menos sei, se ela pensa em mim. Sei, apenas, da sensação de harmonia que senti ao encontrar uma alma irmã. Hoje, acordei livre… Acordei em paz!

A gaiola de Paiola

Existe o mar de Mariana, mas, no mundo de
Ândria,são os parapeitos que exalam aromas
e os pessegueiros que cantam poesias.

Embora o sol brilhasse, o dia estava frio. O vento soprava constante. Eu atravessava uma das praças do centro da cidade a pensar, olhei para o céu a procura de algum indício de mudanças no clima, mas o que vi foi uma revoada de pássaros lá no alto. Tão lindo vê-los, assim, voando em sua formação de “V” característica.

Encolhi, ainda mais, o pescoço em meu cachecol tentando escapar do vento frio de agosto. Por entre as lentes escuras dos óculos foi que o vi. Um pequeno pássaro cinzento, acabara de pousar nos ladrilhos a minha frente. Instintivamente parei. Não queria assustá-lo. Pensei em contorná-lo e seguir meu caminho. Não consegui.

Fiquei ali parada. Decidi sentar-me num dos bancos de ferro. Estava gelado, mas não importava. Enquanto o observava, pensei em outro passarinho que conheci tempos atrás. Passarinha, na verdade. Era assim que a via, pernas longas e fininhas, penugem castanho-cinzenta, olhos pretos e redondos.

Diferente daquele que passeava bicando aqui e ali as folhas no chão, aquela passarinha estava presa. Em sua gaiola, fizera um ninho para ela e seu filhotinho. Passavam os dias a cantarolar entre suas maçãs e bananas prata. Parecia delicada, mas eu sabia que era mais forte do que se imaginava.

Triste é ver passarinho preso em gaiola, mas não essa menina-mulher. Ninguém prende um espírito livre. Nossa imaginação a manteria longe daquele lugar. Passearíamos por entre os meus pomares, filas e filas de árvores com flores cor de rosa. Ali, mais adiante ia o menino de olhos redondos como os dela. Corria naquele passo que só os pequeninos conseguem. Meio tropicante, meio puladinho.

Eu os via dentro de minha cabeça e não me vi ave de rapina. Seria como na canção, brincaríamos entre os campos das nossas idéias. Hoje, éramos duas passarinhas a voar perdidas. Mas enquanto eu tivesse imaginação, voaríamos juntas.