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A formiga e a cigarra

Era uma vez uma formiga carpideira. Dessas cujo trabalho no formigueiro é buscar coisas. Passa o dia a caminhar no sol para juntar coisas. Não pode ver um pedacinho de madeira podre, já corre pra buscar. Uma pedrinha reluzente? Boa pra carregar. Areia!!! Lindo, vou já levantar. Leia o resto deste post

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Desejos

Ali estava ele, segurando um bolinho de chocolate com uma vela acesa no topo, perguntando:

— E então? Faz um desejo. O que você quer?

Ela olhou para longe e pensou na vida.

Era uma menina que tinha pais incríveis e irmãos meio chatos, mas todos eles são. Tinha amigos maravilhosos, como ele que estava a sua frente. Estudava em uma escola boa por esforço próprio e tinha uma vaga idéia do que queria para o futuro. Pra que se preocupar com ele, um dia acontece e vira presente. De grego, às vezes, mas o importante era saber lidar com as conseqüências. Leia o resto deste post

Alada

Perdoem a qualidade da foto, mas precisava registrar isso… Leia o resto deste post

Madrugando

Sábado a noite, enquanto rolava aquela cervejinha gelada, ele perguntou porque eu gostava da noite, respondeu o de sempre: Silêncio! Eu gosto do silêncio. Uma reposta genérica, mas que não deixava de ser verdadeira.

 “Mas faz o que na madrugada?” Ah, vejo filmes pornôs e penso em sexo selvagem. Isso era que ele queria ouvir, por isso eu o disse e ri. Ele também riu, obviamente, não levando a sério. Quem levaria? Ok, não responda. Prefiro não saber. Leia o resto deste post

Poeira

Abriu as janelas e deixou o vento entrar. A poeira se instalou nos cantos da sala, por cima da poeira já antiga que não tinha sido removida. Deitada no sofá de meias de lã e pijamas, ela encarava o teto com uma taça nas mãos. Deixa entrar. Leia o resto deste post

Impecável

Fadas do Nunca

Fadas, levem-me de volta a minha Terra do Nunca.
Do nunca chorar,
do nunca sofrer,
do nunca crescer. Leia o resto deste post

Alpinista

Uma crise de insônia se instala na minha madrugada de sexta-feira, não há nada de aproveitável na televisão pra se ver… No rádio, aqueles mesmos programas de depois das 3 horas, tocando aquelas mesmas músicas de sempre. Falta paciência para ouvir a Whitney cantando, pela ducentésima octogésima sétima vez, a trilha do filme aquele… O corpo cansado não resistirá por muito tempo, mas fervilham milhões de idéias no silêncio ensurdecedor da minha cabeça. Leia o resto deste post

As escolhas de Nuno

 

Era uma vez, um rapaz chamado Nuno.

Quando Nuno tomava uma decisão, não havia ninguém que o fizesse mudá-la. É uma característica notável e de grande valia, mas o homem era radical. Há anos, ele só tomava sorvete de pistache, só ouvia MPB e não bebia nada, além de suco de caju. Também não viajava a lugar algum, nunca saira de sua cidadezinha no interior. Não usava telefone celular e tomava três banhos por dia. Leia o resto deste post

A partida

Ela foi.

Pensou muito antes de tomar a decisão, mas acabou indo. Todas as pessoas que lhe importavam diziam que ela deveria ir. Uma oportunidade dessas não bate duas vezes na porta, mas isso ela só entenderia muito tempo depois. Empregos não caem do céu e ela deveria ter desconfiado desde o inicio. O que vem fácil, vai fácil, não é o que dizem? Leia o resto deste post

Corpo são, mente…

Ela era do tipo de mulher competitiva. Nada, nem ninguém era páreo para seu ego. Nunca entrava em briga que não pudesse ganhar e não havia muitas brigas que ela recusasse.

Todos os dias, calçava os tênis, prendia o mp3player na braçadeira e saía para correr. Tinha um trato com seu corpo. Corria para o mais longe possível, até que as pernas não pudessem dar um passo a mais e os pulmões estivessem prestes a explodir. Depois disso, diminuía o ritmo e caminhava até restabelecer seu controle. Só então, ia até o ponto de ônibus para voltar. Leia o resto deste post

Sozinha

Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido uti lit ário:

sou sozinha, eu e minha liberdade.

É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis. Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo – cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.

Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia:

sou orgânica.

E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria; e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens…

Clarice Lispector