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Aflita

Aflitiva era a palavra que procurava. A situação em que se encontrava era aflitiva, sem mais delongas. Ela dissera a ele para não se apaixonar, para não esperar nada dela. Mas ele esperou! E esperou… Esperou… Esperou…

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Desejos

Ali estava ele, segurando um bolinho de chocolate com uma vela acesa no topo, perguntando:

— E então? Faz um desejo. O que você quer?

Ela olhou para longe e pensou na vida.

Era uma menina que tinha pais incríveis e irmãos meio chatos, mas todos eles são. Tinha amigos maravilhosos, como ele que estava a sua frente. Estudava em uma escola boa por esforço próprio e tinha uma vaga idéia do que queria para o futuro. Pra que se preocupar com ele, um dia acontece e vira presente. De grego, às vezes, mas o importante era saber lidar com as conseqüências. Leia o resto deste post

Amorte

Ele a odiava.

Nem sempre fora assim, casaram-se, viveram 2 anos em clima de lua de mel. Depois vieram os filhos e o casamento descera, como uma bola de neve, morro abaixo. Nunca pensaram em divórcio “pelo bem das crianças”. Leia o resto deste post

Peixes pescadores

Feliz dia dos namorados... Er... Ahn... Atrasadinho!

Olhos vidrados em uma tela, coração e mente abertos. Ambos apaixonados por imagens, ela a buscá-las, ele a produzi-las. Ambos amantes das letras, ele homem de exemplos, ela mulher de metáforas. Vídeos pra cá, áudios pra lá. Pessoa indo, Neruda vindo. Florbela a ilustrar, Clarice a revidar. Leia o resto deste post

Madrugando

Sábado a noite, enquanto rolava aquela cervejinha gelada, ele perguntou porque eu gostava da noite, respondeu o de sempre: Silêncio! Eu gosto do silêncio. Uma reposta genérica, mas que não deixava de ser verdadeira.

 “Mas faz o que na madrugada?” Ah, vejo filmes pornôs e penso em sexo selvagem. Isso era que ele queria ouvir, por isso eu o disse e ri. Ele também riu, obviamente, não levando a sério. Quem levaria? Ok, não responda. Prefiro não saber. Leia o resto deste post

Poeira

Abriu as janelas e deixou o vento entrar. A poeira se instalou nos cantos da sala, por cima da poeira já antiga que não tinha sido removida. Deitada no sofá de meias de lã e pijamas, ela encarava o teto com uma taça nas mãos. Deixa entrar. Leia o resto deste post

Stick boy & Match Girl in love

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Stick Boy liked Match Girl,
He liked her a lot.
He liked her cute figure,
he thought she was hot.
But could a flame ever burn
…for a match and a stick?
It did quite literally;
he burned up quick. Leia o resto deste post

O bloco

Lá estava ele.

Lindo, forte e frio. A luz do sol reluzia na pele clara. Parado na sacada do quarto, ele olhava para algo. De onde estava, pude perceber a sombra que formava. Leia o resto deste post

As escolhas de Nuno

 

Era uma vez, um rapaz chamado Nuno.

Quando Nuno tomava uma decisão, não havia ninguém que o fizesse mudá-la. É uma característica notável e de grande valia, mas o homem era radical. Há anos, ele só tomava sorvete de pistache, só ouvia MPB e não bebia nada, além de suco de caju. Também não viajava a lugar algum, nunca saira de sua cidadezinha no interior. Não usava telefone celular e tomava três banhos por dia. Leia o resto deste post

E ontem…

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No quarto dele…


…ela não pode conter o  pensamento,
“certas coisas são como andar de bicicleta”
mordeu o lábio e quase gritou:

─  Olha, sem as mãos!

Marido ciumento

Enquanto ele gritava e gesticulava, como só os italianos conseguem fazer, ela esperava sentada na poltrona. A raiva fazia latejar as têmporas e enrubescer o rosto do marido. Andava de lá para cá, como se não pudesse ficar parado.

Na verdade, discursava. Qualquer político morreria para ser efusivo como ele era. Energia despendida com fervor. Palavras eram arremessadas sem piedade. Atravessando o curto espaço entre eles, chegando a poltrona onde ela se encontrava. Leia o resto deste post

Corpo são, mente…

Ela era do tipo de mulher competitiva. Nada, nem ninguém era páreo para seu ego. Nunca entrava em briga que não pudesse ganhar e não havia muitas brigas que ela recusasse.

Todos os dias, calçava os tênis, prendia o mp3player na braçadeira e saía para correr. Tinha um trato com seu corpo. Corria para o mais longe possível, até que as pernas não pudessem dar um passo a mais e os pulmões estivessem prestes a explodir. Depois disso, diminuía o ritmo e caminhava até restabelecer seu controle. Só então, ia até o ponto de ônibus para voltar. Leia o resto deste post