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O tempo e o homem

Ele nasceu no interior e nunca conheceu a mãe biológica. A infância não foi fácil, mas ninguém sabe muito a respeito. Somente que foi adotado por alguém que cuidou dele, deu-lhe um nome, uma casa e amor. Cresceu sem registro de nascimento. Era mais um brasileirinho dos muitos que ainda não se conhece existência. Leia o resto deste post

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Peixes pescadores

Feliz dia dos namorados... Er... Ahn... Atrasadinho!

Olhos vidrados em uma tela, coração e mente abertos. Ambos apaixonados por imagens, ela a buscá-las, ele a produzi-las. Ambos amantes das letras, ele homem de exemplos, ela mulher de metáforas. Vídeos pra cá, áudios pra lá. Pessoa indo, Neruda vindo. Florbela a ilustrar, Clarice a revidar. Leia o resto deste post

Stick boy & Match Girl in love

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Stick Boy liked Match Girl,
He liked her a lot.
He liked her cute figure,
he thought she was hot.
But could a flame ever burn
…for a match and a stick?
It did quite literally;
he burned up quick. Leia o resto deste post

Negócio de família

Hoje vou fazer algo diferente. Não vou postar nada escrito por mim, nem de nenhum escritor famoso. porém, não-famoso não significa não-importante. Ela é fundamental na minha vida. Todos os dias! Vocês vão entender o porquê quando abrirem o link aí embaixo. Façam bom proveito, espero que gostem! Leia o resto deste post

Tempo perdido

Podem dizer que estou muito musical essa semana, o fato é que eu estou! Estou cantando pelos cotovelos, há dias. Eu ia postar um texto que estava escrevendo, mas de uma hora para a outra… Puft! Deixou de ser importante. A mudança toda se deve a uma música que acabei de ouvir. Daquelas que faz parte da playlist a vida inteira. Algumas saem, outras entram, mas há essa ou aquela que nunca perdem seu brilho.

Começando do início, deu vontade de ouvir Legião Urbana. Fácil, né? Leia o resto deste post

Sozinha

Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido uti lit ário:

sou sozinha, eu e minha liberdade.

É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis. Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo – cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.

Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia:

sou orgânica.

E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria; e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens…

Clarice Lispector

Tudo novo!

Hoje é 21 de setembro!

Ok! Grande coisa!

Hoje não há nada de muito importante, mas ontem… Ah, o 20 de setembro!!! Data máxima para meu povo gaúcho. Dia de exaltar a ânsia de um povo por liberdade. A luta, o sofrimento, mas nunca a desistência. Foram 10 anos de Revolução Farroupilha e, ontem, foi dia de homenagear nossos soldados farrapos.

Como eu não podia deixar passar, também foi o dia do lançamento da pedra fundamental do estádio do imortal tricolor Grêmio Foot-ball Porto-Alegrense, que mesmo não estando em boa fase, também não desistirá.

Além de todos esses motivos de festa, caso não tenhas percebido,  estamos de casa nova. Uma mudança de endereço do consultório. Pintamos as paredes,  trocamos os assoalhos e agora estamos aqui. Clean e minimalista. Demorou um pouco e ainda não está como quero e, infelizmente, meu tempo anda curto. Tenho que dar um jeito na vida, né?!

Pois é… Novo domínio para um blog que ganha um novo formato. Apartir de agora, além das crônicas, vou postar tudo que der vontade! Vídeos, citações, sonhos malucos. Nem sempre serão bem elaboradinhos como gosto, visados e revisados, menos rebuscaDinha. #piadainterna Enfim, provavelmente, sejam mais dinâmicos e verdadeiros. Mais, tipo  assim, como eu!

Mulher de falas, nem sempre pensamentos. ;D

Então para comemorarmos tudo isso, poderia ter escrito um texto digno, mas na máxima aquela de que uma imagem vale mais do que mil palavras, os deixo com 2 vídeos para apreciarem sem moderação!!!

O primeiro é o Hino do Rio Grande do Sul. Como há várias pessoas que acessam o blog que não são daqui, já aviso: não esperem o formato normal de hinos. Aqui no estado, o hino faz parte do nosso dia-a-dia. É uma composição para ouvir e cantar sempre!

O segundo é Céu, Sol, Sul, Terra e Cor. Que é uma das músicas mais lembradas pelos gaúchos e uma das minhas favoritas! Interpretada por vários artistas, nos mais diversos cantos do estado. Lembrando que Joca Martins, gravou na Charqueada São João e o Grupo Tholl, gravou sua parte no Chafariz das Nereidas, centro de Pelotas.

Assistam, porque isso é poesia, meu povo!

Hino Sul Rio-Grandense por Wilson Paim>

Céu, Sol, Sul, Terra e Cor – Clipe Teledomingo da RBS TV

Oração da nutricionista

Queridas nutris,

Que tenhamos, todos os dias… A paciência para ouvir, clareza para responder, destreza para resolver e a tranquilidade para suportar.

Que tenhamos o piso salarial aumentado como merecido, comensais sempre satisfeitos, chefes compreensivos, funcionários prestativos,  as férias cheguem logo e nossa PL seja sempre gorda.

Que nossos pacientes sejam disciplinados, os doces deles afastados, os brócolis sejam amados, as PA’s e HGTs controlados e os hematócritos sempre altos.

Que nossos consultórios vivam cheios, as balanças nunca sejam mentirosas, as fitas métricas não fujam junto com as canetas e os computadores não travem com a pressa.

Que os restaurantes tenham fornos combinados, passtroughs bem regulados, as coifas nunca entupam, os fornecedores sempre pontuais e que nunca falte o feijão nosso de cada dia!

Que as funcionárias sejam cuidadosas, o cloro bem dosado, nunca falte gás no meio da cocção, luz no meio da distribuição e calma no meio da confusão.

Que os comensais nunca pensem que falta sal no arroz, apreciem a sobremesa com moderação e não nos ameacem no estacionamento.

E, Deus, livrai-nos de toda toxinfecção. Amém!!!

31 de agosto: Dia do Nutricionista

Ser nutricionista é: vitaminar planos,
dar energia a sonhos, alimentar idéias.
Carin Weirich

Para comemorar o dia que homenageia a profissão que escolhi , uma menção às amigas que não escolhi. Às meninas que estiveram do meu lado e nunca mais sairam de dentro do meu peito.

Dinha, Lu, Kadi e Lise

Quem não conhece a saga desse quarteto, pode não entender o intuito. Basta saber que somos o QM, o Quadrado Mágico. Somos 4 das 5 partes do Capitão Planeta e, acima de tudo, somos amigas, irmãs, colegas de profissão, embarcamos em uma empreitada atrás da outra em busca do que somos hoje. Moramos juntas, trabalhamos juntas, brigamos juntas, sonhamos juntas, levantamos muitas taças e muitos garfos juntas.

Hoje, estamos longe fisicamente, uma em cada canto desse estado. Quando possivel, fofocamos no chat coletivo do MSN, nas visitas esporádicas e demoramos muito tempo até botar a conversa em dia…

Hoje, bateu a nostalgia. Bateu saudades. Bateu vontade daqueles nossos programas de gorda, com muito pão de queijo, chocolate quente e torta de limão.

Meninas, amotus flores!!!

Lado²

Vamos brindar a uma era que não voltará
Pontilhada por tropeços e pontos de apoio,
aos quatro anos de experiências e ternura,
inúmeras noites de rompimentos e amarulas.

Último brinde de uma etapa…
Ao rito de passagem!
Ao encontro que o destino nos reservou,
aos dias que não deixaremos para trás.

Um brinde à amizade, aos quatro elementos
a quem lutou pela felicidade equilátera
a quem suportou os mais obtusos ângulos
a quem segurou todas as pontas e as fez retas

Brindemos ao quadrado perfeito e suas hipotenusas
aos losângos e paralelepípedos, aos triângulos agudos
à maleabilidade da ligação de meninas tão diferentes
que cresceram e se tornaram mulheres tão sólidas
quanto o próprio quadrado que as uniu!

Sem vocês, essa taça eu não levantaria…

Amo muito as nutris do meu ♥: Lu, Kadi e Lise

Human[os]idade

Lá ia ela toda vestida de branco, andava devagar pelo corredor longo demais. Enquanto passava, as pessoas abanavam e sorriam. Ela, apenas, sorria de volta. Caminhava devagar, não tinha pressa de chegar. A esperavam no final do corredor e ela mal podia conter a ansiedade. Não se viam desde ontem.

A cada passo mais próxima, ela tentava encontrar uma razão para tudo que vinha acontecendo. Não encontrou. Simplesmente, algumas coisas não fazem sentido. Parou por um instante na porta do quarto, antes de bater e entrar sem cerimônia. Não havia razão em ser formal, todos a conheciam e ela os conhecia melhor do que eles podiam imaginar.

Sentiu aquele cheiro característico que só os hospitais tem, principalmente, enfermarias do SUS. Fez as mesmas perguntas de rotina, dando algumas orientações para os pacientes e seus acompanhantes.

Sempre que era possível,  segurava a mão daquelas pessoas enquanto conversavam. Mantinha um tom leve e descontraído. Leito após leito.

Sabia que tomaria outra repreensão por estar atrasada para passar o plantão, mas e daí? Não se importava. Não era justo que tivesse de correr e atender mal. Perguntas eram respondidas, dúvidas sanadas. Quando possível, os pedidos eram atendidos e os problemas resolvidos. Tudo que tivesse a seu alcance.

Após conversar com todos, se dirigiu a porta. Era sexta-feira e ela só os veria, novamente, na segunda. Tanta coisa podia mudar no fim-de-semana. Alguns poderiam não estar mais lá quando ela voltasse. Era algo que ocorria frequentemente e, nem sempre era por bons motivos. Já na porta, falou alto para que todos ouvissem:

– Meus queridos, um bom fim-de-semana pra vocês. Cuidem-se porque quando eu voltar na segunda quero ver esse hospital vazio! Todo mundo em casa tomando chimarrão com os netos!

O leito 28, Seu Luiz, sempre bem humorado retrucou lá da sua poltrona no cantinho perto do banheiro, quase escondido por trás dos tubos e aparelhos:

– Mas doutora, se for todo mundo embora, a senhora vai ficar sem trabalho!

Era irônico e bonitinho ao mesmo tempo, que um senhor com idade para ser seu avô e experiência suficiente para ser reverenciado, a chamasse de senhora. Ela era nutricionista estagiária e não doutora, mas era assim que chamavam todo mundo que vestisse branco e não fosse da equipe de enfermagem.

– Ah, Seu Luiz! Se fossem todos pra casa eu passaria a vender brócolis na feira livre do seu bairro. Aquele mesmo brócolis que o senhor se recusa a comer!

Houve uma risada, seguida de uma tosse. O inverno rigoroso engrossava sua prancheta de fichas e aumentava o tempo de permanência delas. Despediu-se novamente e antes de fechar a porta grossa e antiga de madeira, pode ouvir a esposa de seu Beto, do leito 34.

– Essa moça gosta do que faz!

Mal sabiam eles, que ela detestava. Estava ali por mera exigência acadêmica. Iniciar as quase 50 visitas do dia era um tormento. Dispor de uns minutinhos de conversa com cada um deles era mais do que dever profissional, era uma obrigação humana. Enquanto segurava suas mãos, tentava absorver o que os preocupava. Ao sair, sempre sentia o clima mais leve no quarto e mais pesado em seu peito. Não fazia mal, ela era jovem.

E embora ela chegasse ao fim do plantão exausta. Fisicamente, exausta.  Descarregaria suas aflições nos quilômetros de corrida habituais, assim que seu turno acabasse. Sol e vento sempre resolviam tudo! Não resolviam?

#SarauVirtual

Já estava com o post de hoje prontinho quando tive uma surpresinha…

O @fc_galldino publicou no blog do #SarauVirtual um poeminha dos meus. Ficou meio bobinho, já que o verso não é meu forte. Ando me arriscando no gênero e, geralmente, são curtinhos. Mas, então, não vou falar de mim, é chato! Vou falar da idéia incrível que o querido Maurício Bittencourt teve: Sarau Virtual.

O Sarau Virtual é um projeto para jovens escritores, nasceu no Twitter e é marcada pela hashtag #SarauVirtual. Idealizada pelo administrador de um dos fã-clubes de Galldino, exímio violinista, cantor, poeta, e integrante d’O Teatro Mágico. Desde então, vários de seus fãs e seguidores enviam suas produções literárias para @fc_galldino, que as publica no blog criado especialmente para isso.

Aproveita e dá uma passadinha lá no blog! Há vários talentos escondidos por aí e se tu tiveres um poema, uma crônica ou uma idéia na gaveta, manda pro fc_galldino@hotmail.com Sempre é bom ler algo que nos agregue!

Os links:

Não preciso dizer que sou fã de ambos, né?

Ah é!! Já ia esquecendo… O link permanente do poeminha: Desamor

A gaiola de Paiola

Existe o mar de Mariana, mas, no mundo de
Ândria,são os parapeitos que exalam aromas
e os pessegueiros que cantam poesias.

Embora o sol brilhasse, o dia estava frio. O vento soprava constante. Eu atravessava uma das praças do centro da cidade a pensar, olhei para o céu a procura de algum indício de mudanças no clima, mas o que vi foi uma revoada de pássaros lá no alto. Tão lindo vê-los, assim, voando em sua formação de “V” característica.

Encolhi, ainda mais, o pescoço em meu cachecol tentando escapar do vento frio de agosto. Por entre as lentes escuras dos óculos foi que o vi. Um pequeno pássaro cinzento, acabara de pousar nos ladrilhos a minha frente. Instintivamente parei. Não queria assustá-lo. Pensei em contorná-lo e seguir meu caminho. Não consegui.

Fiquei ali parada. Decidi sentar-me num dos bancos de ferro. Estava gelado, mas não importava. Enquanto o observava, pensei em outro passarinho que conheci tempos atrás. Passarinha, na verdade. Era assim que a via, pernas longas e fininhas, penugem castanho-cinzenta, olhos pretos e redondos.

Diferente daquele que passeava bicando aqui e ali as folhas no chão, aquela passarinha estava presa. Em sua gaiola, fizera um ninho para ela e seu filhotinho. Passavam os dias a cantarolar entre suas maçãs e bananas prata. Parecia delicada, mas eu sabia que era mais forte do que se imaginava.

Triste é ver passarinho preso em gaiola, mas não essa menina-mulher. Ninguém prende um espírito livre. Nossa imaginação a manteria longe daquele lugar. Passearíamos por entre os meus pomares, filas e filas de árvores com flores cor de rosa. Ali, mais adiante ia o menino de olhos redondos como os dela. Corria naquele passo que só os pequeninos conseguem. Meio tropicante, meio puladinho.

Eu os via dentro de minha cabeça e não me vi ave de rapina. Seria como na canção, brincaríamos entre os campos das nossas idéias. Hoje, éramos duas passarinhas a voar perdidas. Mas enquanto eu tivesse imaginação, voaríamos juntas.