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Pra onde foi?

A falta de sono. Números, números e mais números. A tarde quente de quase-verão O longo trajeto no transporte coletivo. Sexta-feira, 19h. Corredores de um mercado cheio.

Eventos cuja sequencia são de tirar qualquer um do sério. Depois de tropeçar em caixas de leite espalhadas pelo chão, tomar um pisão no pé e tirar 5 carrinhos abandonados no meio do caminho, finalmente, consegui chegar até o freezer das carnes. Leia o resto deste post

Paradoxo

Desde menina ela corria a frente do tempo. Sempre que perguntavam, dizia que tinha um ano a mais do que seu registro de nascimento afirmava. Meses antes de seu aniversário, já assumia a nova idade. Não sabia, exatamente, quando começara com isso. O fato é que lá estava o hábito.

“Coisa de criança” diziam os mais velhos. Afinal, elas é que tem vontade de crescer logo ou de aparentar mais velhas do que eram. O problema é que seu corpo lhe desmentia. Sempre fora a menor da turma. A mais nova também. Talvez por isso, quisesse que o tempo passasse logo. Queria alcançar as amigas. Ser da mesma idade que elas e desenvolver o corpo como o delas. Escondera-se demais em calças largas, que aumentavam quadris e blusas que simulavam volume onde não existia. Uma ilusão de ótica falha, que não enganava nem o espelho, quanto mais outras pessoas. Leia o resto deste post

Desejos

Ali estava ele, segurando um bolinho de chocolate com uma vela acesa no topo, perguntando:

— E então? Faz um desejo. O que você quer?

Ela olhou para longe e pensou na vida.

Era uma menina que tinha pais incríveis e irmãos meio chatos, mas todos eles são. Tinha amigos maravilhosos, como ele que estava a sua frente. Estudava em uma escola boa por esforço próprio e tinha uma vaga idéia do que queria para o futuro. Pra que se preocupar com ele, um dia acontece e vira presente. De grego, às vezes, mas o importante era saber lidar com as conseqüências. Leia o resto deste post

Ausências

Perdida no escuro, ela abriu os olhos. Não lembrava, exatamente, onde estava. Os olhos teimavam em ficar fechados e o sono estava ali. Ao mesmo tempo, sentia-se desperta e tentava, sem sucesso, colocar um pensamento atrás do outro em uma ordem lógica. Que horas são? Onde estou? Que barulho é esse? Leia o resto deste post

Amigos para sempre

Ela levantou pela manhã já pensando em ir encontrar aquele tão querido amigo. Amigo daqueles que sempre ampara em uma necessidade, apenas ele estava lá para ela. Mais ninguém. Nem namorado, pais ou filhos. Somente aquele único e fiel amigo. Leia o resto deste post

Impecável

O café e um bilhete

Olhou-se no espelho, retocou o eyeliner, guardou os apetrechos na bolsa e deixou o banheiro. Lentamente, caminhou até sua mesa, desviando dos garçons com bandejas de prata. No espaço reservado a fumantes, os assentos tinham espaldares altos e lustres individuais em cima das mesas, tornando o lugar atrativo aos casais. Leia o resto deste post

E ontem…

.

 

No quarto dele…


…ela não pode conter o  pensamento,
“certas coisas são como andar de bicicleta”
mordeu o lábio e quase gritou:

─  Olha, sem as mãos!

A permanência

Ela ficou.

Pensou muito a respeito e decidiu ficar. Disse não a proposta irrecusável de emprego e abandonara a grande oportunidade de sair da cidade natal. Ela sempre quisera ir, mas esse não era o momento.  A vida ali, não era a que ela queria, mas não se sentia pronta para deixar os pais, os amigos, o namorado e o conforto de sua casa. Leia o resto deste post

Corpo são, mente…

Ela era do tipo de mulher competitiva. Nada, nem ninguém era páreo para seu ego. Nunca entrava em briga que não pudesse ganhar e não havia muitas brigas que ela recusasse.

Todos os dias, calçava os tênis, prendia o mp3player na braçadeira e saía para correr. Tinha um trato com seu corpo. Corria para o mais longe possível, até que as pernas não pudessem dar um passo a mais e os pulmões estivessem prestes a explodir. Depois disso, diminuía o ritmo e caminhava até restabelecer seu controle. Só então, ia até o ponto de ônibus para voltar. Leia o resto deste post

Salto 15

Imagine uma mulher assim: morena, olhos castanho-amendoados, puxadinhos nos cantos. Seios do tamanho certo, nem grandes nem pequenos. Cintura que cabe a curva do braço, bunda redonda e empinadinha. Pernas bem torneadas, fortes quase musculosas, pés pequenos. Mãos fininhas, unhas vermelhas e compridas o suficiente pra deixar marcas gostosas na pele. Cabelos negros e longos, franjinha na testa, 1,60m de altura, peso difícil de estimar. Essa é minha amiga Vivi.

Ela andava tão devagar pela rua que as pedras do caminho se endireitavam pra que ela não tropeçasse em seu salto 15. Óculos escuros, bolsa maxi no ombro e vestido vermelho. Não sei aonde ia, mas também não importava. É o tipo de mulher que não precisa de motivos pra ficar bonita, apenas é…

E pronto!

Eu seguia atrás, também andava devagar, mas pela simples curiosidade de ouvir os comentários dos homens que se espalhavam pelas calçadas, meros desocupados e, até mesmo, os ocupados que sempre arrumavam tempo pra admirar um par de pernas em minissaias. Era um tanto masoquismo ouvir os comentários deselegantes e assobios ritmados. Resolvi atravessar a rua, não resolveu. Vivi chamava atenção mesmo de longe.

Lá ia ela sem pressa nenhuma, parecia alheia ao furor que causava. Parou em frente a uma vitrine de jeans. Analisou algum deles e seguiu em frente. Não sei porque parou ali, nunca a vi usar jeans. Mais adiante, uma vitrine de sapatos, olhou por alguns instantes e entrou. Resolvi entrar na sorveteria em frente à loja de sapatos e esperar ela sair. Puro masoquismo! Acomodei-me em uma mesa em que pudesse olhar o interior da loja e lá estava ela com duas atendentes a seu dispor.

Tentei enumerar aqueles homens todos que ainda estavam nas calçadas, era bem possível que esperassem também, somente para poder olhar por mais 30 segundos a exuberância de Vivi quando saísse pela porta. Iriam esperar bastante a julgar pelo número de pares de sapatos que se acumulavam. Talvez eu também fosse uma desocupada como eles, mas era irresistível.

Algum tempo se passou, terminei meu sorvete e passei no caixa. Saí na porta no exato momento em que Vivi saía da loja com duas sacolas. Olhou para os lados, pôs os óculos e olhou diretamente pra mim. Tirou os óculos novamente, abriu um sorriso e desceu o degrau da porta. Também sorri e esperei acomodando a bolsa no ombro.

Os homens se alvoroçaram novamente, pude ouvir novamente os assobios e o murmurinho quando ela atravessou a rua, vindo a meu encontro. Era uma rua do centro antigo com muitos pedestres e poucos automóveis a circular por ali. Ainda bem, já que dois carros pararam pra que ela passasse. Em qualquer outro lugar seria acidente na certa, porque nenhum dos dois motoristas teve pressa de partir. Vivi chegou perto. O vento remexeu seu vestido leve e pude sentir o perfume adocicado. Sorria com os olhos quando perguntou:

– Você estava aí?

– Resolvi tomar um sorvete enquanto esperava você escolher.

– Podia ter entrado e ajudado, como fiquei em dúvida… Comprei os dois! Salto 15! Toma… Um é seu!

Com isso ergueu as duas sacolas na altura da cintura e as baixou novamente com uma risada . Passou-me uma delas e me beijou. Um beijo curto e profundo.

– Já disse que seu gloss de morango é grudento, Vivi?

Ela sorriu novamente. Segurou minha mão livre e caminhou rebolante ao meu lado. Imaginei se a ausência de assobios ou comentários seria surpresa ou inveja, mas logo desisti. Passei a prestar atenção nela, que falava alegremente dos sapatos incríveis que tinha comprado. Essa é minha amiga Vivi.

Na ponta da língua…

– Humpf… Engraçadinho!!!

– Muito quieta…
– Hum? Que disseste?
– Não combina contigo. Faz 10 minutos que não dizes palavra alguma!
– Estava pensando…
– Isso também não combina contigo! Quando isso aconteceu?
– Aconteceu o que? Do que estás falando, afinal?
– Se lembro bem, tuas idéias iam direto para a ponta da língua. Mulher de falas, nunca pensamentos…
– Engraçadinho!!!