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Fora do trilho

Era impossível definir-lhe a idade. Pelo rosto de linhas finas e lábios não tão finos assim, diria-se que beirava os 20 anos. Mas seus olhos mentiam, pareciam já estar aposentados. Cansados de ver as coisas da vida, renunciavam a procurar algo que chamasse a atenção no aglomerado de gente que se espremia no metrô.

Eu também estava distraída, até o momento em que ela entrou pela porta e prendeu minha atenção. Não pela roupa que usava, vestia um jeans casual e tênis esportivos. Mais uma adolescente entre outras milhares. Comum e nada extraordinária. Não usava perfume, mas pude sentir cheiro de amaciante de roupas. O frio lá fora obrigava que usássemos casacos. Nada muito pesado, só o suficiente para nos proteger do vento que insistia em jogar-lhe uma mecha de cabelo sobre o nariz. Leia o resto deste post

Desejos

Ali estava ele, segurando um bolinho de chocolate com uma vela acesa no topo, perguntando:

— E então? Faz um desejo. O que você quer?

Ela olhou para longe e pensou na vida.

Era uma menina que tinha pais incríveis e irmãos meio chatos, mas todos eles são. Tinha amigos maravilhosos, como ele que estava a sua frente. Estudava em uma escola boa por esforço próprio e tinha uma vaga idéia do que queria para o futuro. Pra que se preocupar com ele, um dia acontece e vira presente. De grego, às vezes, mas o importante era saber lidar com as conseqüências. Leia o resto deste post

Maggie & Louise

Amor? O que era isso? Nunca sentira, nem fazia questão de sentir. O mais próximo que chegara disso foi nos tempos de internato, onde se afeiçoara a menina da cama ao lado. Eram amigas e haviam fugido várias vezes de seu dormitório para fumar escondidas em um dos jardins da escola. Riam de suas próprias piadas e flertavam com os rapazes nos raros passeios pelo vilarejo onde se encontrava o internato. Leia o resto deste post

Ausências

Perdida no escuro, ela abriu os olhos. Não lembrava, exatamente, onde estava. Os olhos teimavam em ficar fechados e o sono estava ali. Ao mesmo tempo, sentia-se desperta e tentava, sem sucesso, colocar um pensamento atrás do outro em uma ordem lógica. Que horas são? Onde estou? Que barulho é esse? Leia o resto deste post

O café e um bilhete

Olhou-se no espelho, retocou o eyeliner, guardou os apetrechos na bolsa e deixou o banheiro. Lentamente, caminhou até sua mesa, desviando dos garçons com bandejas de prata. No espaço reservado a fumantes, os assentos tinham espaldares altos e lustres individuais em cima das mesas, tornando o lugar atrativo aos casais. Leia o resto deste post

Mãe de oito

De alguma maneira estranha, eu me tornei mãe de oito pequeninos. Não me tomem por promíscua, mas uma vida é longa o bastante pra se ter quantos filhos se quiser. Nem sempre eu os quis, mas como os rejeitar depois que já estão a caminho? Leia o resto deste post

Alpinista

Uma crise de insônia se instala na minha madrugada de sexta-feira, não há nada de aproveitável na televisão pra se ver… No rádio, aqueles mesmos programas de depois das 3 horas, tocando aquelas mesmas músicas de sempre. Falta paciência para ouvir a Whitney cantando, pela ducentésima octogésima sétima vez, a trilha do filme aquele… O corpo cansado não resistirá por muito tempo, mas fervilham milhões de idéias no silêncio ensurdecedor da minha cabeça. Leia o resto deste post

Tranquilidade

Eu e meus sonhos estranhos com pessoas aleatórias. Desta vez, sonhei que chovia. Não era uma tempestade, era mais como a chuva fina e constante que cai durante grande parte do ano na cidade.

Lembro de sentir sono, muito sono. Arrastava as pernas enquanto descia as escadas e seguia o fluxo de alunos barulhentos. Os olhos mal conseguiam se manter abertos, mas conhecia tão bem aqueles corredores, que poderia andar por eles sem, de fato, vê-los. Além de um livro, carregava o antigo fichário preto, bordado em letras cor-de-rosa. Era um fardo pesado e eu estava cansada. Leia o resto deste post

A permanência

Ela ficou.

Pensou muito a respeito e decidiu ficar. Disse não a proposta irrecusável de emprego e abandonara a grande oportunidade de sair da cidade natal. Ela sempre quisera ir, mas esse não era o momento.  A vida ali, não era a que ela queria, mas não se sentia pronta para deixar os pais, os amigos, o namorado e o conforto de sua casa. Leia o resto deste post

A partida

Ela foi.

Pensou muito antes de tomar a decisão, mas acabou indo. Todas as pessoas que lhe importavam diziam que ela deveria ir. Uma oportunidade dessas não bate duas vezes na porta, mas isso ela só entenderia muito tempo depois. Empregos não caem do céu e ela deveria ter desconfiado desde o inicio. O que vem fácil, vai fácil, não é o que dizem? Leia o resto deste post

Meu menino

Há um lugar em que passado, presente e futuro se confundem. O agora, o nunca e o talvez, jamais tomam forma. O dia, a noite, o nascer e o pôr-do-sol são tudo uma coisa só. O tempo não existe, as vozes são mais vivas e as imagens mais coloridas.

Os sonhos. Leia o resto deste post

Corpo são, mente…

Ela era do tipo de mulher competitiva. Nada, nem ninguém era páreo para seu ego. Nunca entrava em briga que não pudesse ganhar e não havia muitas brigas que ela recusasse.

Todos os dias, calçava os tênis, prendia o mp3player na braçadeira e saía para correr. Tinha um trato com seu corpo. Corria para o mais longe possível, até que as pernas não pudessem dar um passo a mais e os pulmões estivessem prestes a explodir. Depois disso, diminuía o ritmo e caminhava até restabelecer seu controle. Só então, ia até o ponto de ônibus para voltar. Leia o resto deste post