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Sozinha

Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido uti lit ário:

sou sozinha, eu e minha liberdade.

É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis. Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo – cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.

Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia:

sou orgânica.

E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria; e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens…

Clarice Lispector
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