Arquivos do Blog

Alada

Perdoem a qualidade da foto, mas precisava registrar isso… Leia o resto deste post

Peixes pescadores

Feliz dia dos namorados... Er... Ahn... Atrasadinho!

Olhos vidrados em uma tela, coração e mente abertos. Ambos apaixonados por imagens, ela a buscá-las, ele a produzi-las. Ambos amantes das letras, ele homem de exemplos, ela mulher de metáforas. Vídeos pra cá, áudios pra lá. Pessoa indo, Neruda vindo. Florbela a ilustrar, Clarice a revidar. Leia o resto deste post

Lagarta móvel

Lagarta móvel, upload feito originalmente por Andria Ortiz.

Deixei meu carro, durante a noite, embaixo de um pé de maracujás e ao acordar, tinha essa lagarta querendo virar borboleta… No meu limpador de parabrisa!!!

Eu disse… Um dia a gente vira borboleta! ;D

Na mira…

 

A quem interessar possa, Leia o resto deste post

Meus amores

Assisti uma vez, um comediante dizendo que o cérebro do homem contém várias caixas, onde eles organizam seus pensamentos. Cada caixa é especifica para um assunto e eles nunca deveriam se encostar ou se misturar. Com a mulher também é mais ou menos assim, mas nosso depósito fica dentro do peito, onde é mais quentinho e seguro.

Meus amores serão sempre meus. Mesmo que já não estejam comigo, estão comigo.  Todos trouxeram coisas boas e, mesmo as más, no final foram boas. Fizeram parte da expansão de minha memória. E devemos aprender sempre!

C:/Meus amores/Passado/Meu bem.zip

Quando passam a ser só memórias, eu os guardo numa pastinha no drive C, de coração. Lá dentro estão as fotos, as músicas que ouvimos juntos (ou não), os lugares que vimos, os cheiros que senti, as alegrias, as conversas de MSN, os emails que trocamos. Revejo tudo, separo por categorias, organizo datas, releio, re-ouço e re-assisto. Está tudo lá.

Antes de salvá-los, deleto os arquivos duplicados e as brigas, já as lembranças boas deixo bem a vista. Depois de tudo arrumadinho, compacto tudo e coloco a senha. Estarão lá guardados e, às vezes, quando bater a saudade e os visitarei.

– Mas precisa de senha?

Precisa. Quando eu morrer, quem vier olhar o que eu guardava dentro de mim, não vai ter acesso. Meus amores são meus e de mais ninguém. Quem olhasse de fora não entenderia o quanto os amei, ou melhor, entenderia como quisesse e não como merecem.

Quem olhasse de fora, não daria as cores certas às imagens, elas seriam pálidas e turvas. Não dançaria como dancei nossas músicas, seriam monótonas e estáticas. Não sentiria o sabor de verdade, seriam insossas e frias. Meus amores merecem mais do que isso.

Nem seus nomes lhes interessa. Meus amores são meus e sempre serão. Só darei um aviso! Não se assuste com o número de arquivos que encontrar ou com os apelidinhos carinhosos, ou nem tanto assim. Preste atenção no número de megabytes que encontrar, nas datas de visualização do arquivo e, se possível, no número de vezes que o arquivo foi visualizado. Só assim saberás quais foram os meus melhores.

Mal estar

Ela passou o dia inteiro com um mal-estar. Sentia-se pesada, enjoada e seu estômago estava revirado. Provavelmente, fosse a gastrite que resolvera voltar ao ataque.  A velha companheira que não a deixava em paz. Tomou seus remédios, mas eles não surtiram efeito imediato.

Ficou a imaginar se havia comido algo que pudesse ter causado o estrago. Nada lhe ocorreu, mesma rotina de sempre. Nada diferente havia acontecido. A água era filtrada, os vegetais bem higienizados e os cozidos bem cozidos. Improvável, mas não impossível.

Foi dormir, esperando que acordasse bem no dia seguinte. Não aconteceu. Acordou com a mesma sensação. Apesar da falta de vontade, obrigou-se a comer algo. Foi trabalhar, voltou, dormiu e acordou.

Dormiu e acordou outras tantas noites e a sensação não a deixava. A sexta-feira chegou e com ela o fim-de-semana. Recusou o convite para a happy hour. Bebidas alcoólicas não a fariam se sentir melhor. Dormiu cedo, acordou tarde.

Sábado à tarde, estava deitada no sofá da sala quando o celular tocou. Um novo alguém a convidando para jantar. Ela aceitou. Não podia deixar de comer, apesar do mal estar. Explicou rapidamente a situação e pediu que fosse um restaurante que houvesse opções saudáveis. Desligou o telefone e foi para o banho.

Pontualmente, às 20h o carro parou no meio-fio. Ela entrou. No restaurante, pediu peixe grelhado e saladinha, para beber suco de mamão. Ela conversava olhando naqueles olhos de cor indefinida. Talvez fossem verdes com leve tom de mel ou fossem de um castanho muito claro e com um leve tom alaranjado. O assunto fluía tranqüilo e os sorrisos escapavam por entre os lábios. Saíram de mãos dadas.

Ele a deixou em casa, estimou melhoras e a beijou docemente. Ela o retribuiu, desejou boa noite e desceu do carro. Ele esperou que ela estivesse do lado de dentro da casa, para dar a partida no carro. Ela esperou estar dentro de casa, para soltar o suspiro que estava preso na garganta.

E lá estava ele novamente… O maldito mal estar! Não o havia sentido a noite inteira. Foi quando um pensamento lhe cruzou a mente e ela entendeu. Entendeu tudo! Era tão óbvio! E tão triste.

As novas lagartas de cor indefinida, batalhavam seu espaço dentro do estomago dela. Mas as borboletas brancas não estavam dispostas a ceder seu lugar, conquistado ao longo de tanto tempo. Haviam declarado guerra e ela não sabia quem venceria. Decidiu que não queria saber. Deixaria as coisas acontecerem. Alguém acabaria vencendo, ou morreriam todas. Ela não tinha uma resposta para isso, nem queria ter.

Engoliu seus remédios. Tomou seu copo d’água. Passou a mão na barriga e disse para si mesma:

– Que vença o mais forte.

A menina

O sol brilhava no céu azul de quase verão. Passarinhos voavam baixinho e as crianças corriam no campo verde. Estava quente demais para mantê-las dentro dos cubículos, que eram os apartamentos daquele conjunto habitacional. As mães sentadas em suas cadeiras de praia, nas rodas de chimarrão e fofoca do final da tarde. Um por um os pais e maridos chegavam e se uniam às conversas animadas.

Não haviam brinquedos naquele playground improvisado. O que era ainda melhor, cada criança trazia uma boneca, uma bicicleta ou uma bola de plástico e compartilhava com todos. Algumas caiam e ralavam os narizes, as mães corriam com merthiolates e bandaids de bichinhos. Um beijinho pra passar, um desejo de que sarasse antes de casar, um tapinha na bunda e uma ordem para voltar a brincar.

Não eram bonitinhos os tênis brancos?

Eram seis blocos com quatro apartamentos cada, dispostos em formato de “U” ao redor do campinho. No extremo oposto havia um valo não encanado ainda, esgoto a céu aberto. Os moradores já haviam contatado os responsáveis, mas nenhuma providência tinha sido tomada e, por esse motivo, as crianças só tinham permissão para brincar em metade do espaço. Aumentando muito o tumulto de crianças e pais que se amontoavam.

Em meio a todo esse tumulto, uma das meninas escapou a vigilância da mãe. Não tinha mais do que 3 anos, a moreninha de tênis brancos. A mãe se distraíra por alguns minutos com a filha menor, que acabara de ser mordida pelo menino do 603. Já era o quarto episódio daquela semana. O pai ralhava e ele chorava, do outro lado, a bebê chorava de susto e a mãe consolava.

Apenas alguns minutos se passaram, até que a mulher levantou a cabeça e procurou a cabeça cacheada da filha mais velha. Revirou duas vezes com os olhos e não a encontrou. Perguntava a vizinha do lado, quando ouviu ao longe um choro, seguido de um “mããããe”. O som vinha de lá, do valo de esgoto. Largou a pequena careca no colo do vizinho do 201 e correu.

As crianças pararam de correr e os adultos de falar. Todos observavam enquanto ela se ajoelhava na beira do valo, esticava os braços e tirava a menina de lá. Felizmente, não chovia há mais de uma semana. Os tênis brancos e as calças que, antes eram azuis, estavam cobertas de lama até os joelhos. Correu diretamente para o banheiro de seu apartamento no térreo, deixando para trás os murmúrios e as reclamações a prefeitura.

Os tênis novos e as calças azuis foram embalados em uma sacola plástica, indo diretamente para o lixo. Depois do banho, sentadas as três em cima da cama de casal. Todas mais calmas, a mãe perguntou a filha mais velha o que havia acontecido. Já que era óbvio que não tinha caído do barranco.

A moreninha, muito bem articulada para a idade que tinha, disse que viu uma borboleta voar e pousar numa planta dentro do valo. Quis pegá-la para mostrar a irmãzinha mais nova. Mostrando como desceu, deitou-se com a barriga para baixo e foi resvalando devagar à beirada da cama. Contou, sob o olhar perplexo da mãe, que quando chegou ao fundo, olhou para o lado e viu um sapo. Então gritou várias vezes pela mãe, chorando. Já coberta com a lama fedorenta do esgoto.

A mãe a fez sentar na cama e, então, disse que ela não devia mais fazer isso. A menina, puxando o pé descalço perto do nariz, prometeu não repetir o ato porque ainda sentia o cheiro ruim no pé. Riram abraçadas por algum tempo e, então ouviram o barulho do pai que chegava do trabalho.

O que a mãe não explicou a filha pequena demais para entender, é que essa não seria a ultima vez que ela perseguiria borboletas. Encararia desafios pra alcançar seu objetivo, mas acabaria se deparando com sapos maiores e mais feios do que aquele. Não disse também, que ela sempre estaria ali pra resgatá-la da lama, consolá-la e que, no futuro, esses episódios ainda seriam motivos de muitas risadas das duas. Apesar dos episódios feios, a vida continua.

A dieta da lagarta

Não é que ela fosse velha, mal passara dos 20 anos, mas aprendeu muito cedo a dinâmica dos relacionamentos afetivos. Sempre fora uma das mais jovens nos círculos de amizade, mas era a opinião dela que os amigos pediam quando o assunto era seus amores e suas desilusões. Amadurecera muito cedo e sabia como os apaixonados, ou não, agiam.

Pouco tempo atrás, ganhara uma nova amiga. Uma menina que, como ela, era jovem demais pra seu conhecimento do mundo. Amanda só tinha 15 anos, mas conversava como adulta. As duas se conheceram num chat na internet, nunca se viram pessoalmente e, quem disse que isso importava?

Ela acompanhara o processo do primeiro “apaixonamento” de Amanda. Suas dúvidas e inseguranças, suas certezas e convicções. Quase podia ver os olhinhos miúdos brilhando e o sorriso meio bobo de quem ama. Ele era um menino pouco mais velho, extremamente carinhoso e maduro, que parecia poder acompanhar o ritmo do raciocínio da grande pequena adulta.

Amanda sugeriu à amiga que, como a nutricionista que era, devia prescrever às pessoas a dieta da borboleta, já que era a melhor sensação do mundo. Ambas amavam com os estômagos. Mas a experiência da mais velha dizia que não era bem assim que as coisas funcionavam.

Apaixonar-se não é engolir borboletas. É se alimentar, todos os dias com uma pequena lagarta, que pode ser um sorriso, uma mania esquisita, um poema ou qualquer coisa peculiar que o outro traga. Um dia quando menos se esperar, as lagartas, todas ao mesmo tempo, viram borboletas. Isso é se apaixonar e essa é a dieta da lagarta.