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Pra onde foi?

A falta de sono. Números, números e mais números. A tarde quente de quase-verão O longo trajeto no transporte coletivo. Sexta-feira, 19h. Corredores de um mercado cheio.

Eventos cuja sequencia são de tirar qualquer um do sério. Depois de tropeçar em caixas de leite espalhadas pelo chão, tomar um pisão no pé e tirar 5 carrinhos abandonados no meio do caminho, finalmente, consegui chegar até o freezer das carnes. Leia o resto deste post

Maggie & Louise

Amor? O que era isso? Nunca sentira, nem fazia questão de sentir. O mais próximo que chegara disso foi nos tempos de internato, onde se afeiçoara a menina da cama ao lado. Eram amigas e haviam fugido várias vezes de seu dormitório para fumar escondidas em um dos jardins da escola. Riam de suas próprias piadas e flertavam com os rapazes nos raros passeios pelo vilarejo onde se encontrava o internato. Leia o resto deste post

“Poser”


 Rubi e Ândria

Amiga poser é isso aí… Ainda aparece um maluco com uma câmera pra dar corda, acontece isso! xD

Olha lá no site as outras! Clica na foto que ela redireciona direto.

bjooks!

 

 

Atualizando o post…

Gentem, olham aí agora tem o slideshow do ensaio. aprendi palavrinha nova hoje! Mister Barbousa fez questão de me ensinar que isso aí não é um making of, já que ele não é o E! Channel e eu não tenho direito a um Behind the Scenes. OK! Ele não disse tudo isso, mas foi assim que eu recebi a idéia, certo?

Dêem uma fuçadinha lá porque é mais do que permitido e se quiserem curtir ou contratar nossos serviços, vocês sabem onde me encontrar… $$$$

Aj, é… Estou super de bom humor e treinando para futura carreira de publicitária e produtora… ;P

Beijooooos, amadinhos!

Salto 15

Imagine uma mulher assim: morena, olhos castanho-amendoados, puxadinhos nos cantos. Seios do tamanho certo, nem grandes nem pequenos. Cintura que cabe a curva do braço, bunda redonda e empinadinha. Pernas bem torneadas, fortes quase musculosas, pés pequenos. Mãos fininhas, unhas vermelhas e compridas o suficiente pra deixar marcas gostosas na pele. Cabelos negros e longos, franjinha na testa, 1,60m de altura, peso difícil de estimar. Essa é minha amiga Vivi.

Ela andava tão devagar pela rua que as pedras do caminho se endireitavam pra que ela não tropeçasse em seu salto 15. Óculos escuros, bolsa maxi no ombro e vestido vermelho. Não sei aonde ia, mas também não importava. É o tipo de mulher que não precisa de motivos pra ficar bonita, apenas é…

E pronto!

Eu seguia atrás, também andava devagar, mas pela simples curiosidade de ouvir os comentários dos homens que se espalhavam pelas calçadas, meros desocupados e, até mesmo, os ocupados que sempre arrumavam tempo pra admirar um par de pernas em minissaias. Era um tanto masoquismo ouvir os comentários deselegantes e assobios ritmados. Resolvi atravessar a rua, não resolveu. Vivi chamava atenção mesmo de longe.

Lá ia ela sem pressa nenhuma, parecia alheia ao furor que causava. Parou em frente a uma vitrine de jeans. Analisou algum deles e seguiu em frente. Não sei porque parou ali, nunca a vi usar jeans. Mais adiante, uma vitrine de sapatos, olhou por alguns instantes e entrou. Resolvi entrar na sorveteria em frente à loja de sapatos e esperar ela sair. Puro masoquismo! Acomodei-me em uma mesa em que pudesse olhar o interior da loja e lá estava ela com duas atendentes a seu dispor.

Tentei enumerar aqueles homens todos que ainda estavam nas calçadas, era bem possível que esperassem também, somente para poder olhar por mais 30 segundos a exuberância de Vivi quando saísse pela porta. Iriam esperar bastante a julgar pelo número de pares de sapatos que se acumulavam. Talvez eu também fosse uma desocupada como eles, mas era irresistível.

Algum tempo se passou, terminei meu sorvete e passei no caixa. Saí na porta no exato momento em que Vivi saía da loja com duas sacolas. Olhou para os lados, pôs os óculos e olhou diretamente pra mim. Tirou os óculos novamente, abriu um sorriso e desceu o degrau da porta. Também sorri e esperei acomodando a bolsa no ombro.

Os homens se alvoroçaram novamente, pude ouvir novamente os assobios e o murmurinho quando ela atravessou a rua, vindo a meu encontro. Era uma rua do centro antigo com muitos pedestres e poucos automóveis a circular por ali. Ainda bem, já que dois carros pararam pra que ela passasse. Em qualquer outro lugar seria acidente na certa, porque nenhum dos dois motoristas teve pressa de partir. Vivi chegou perto. O vento remexeu seu vestido leve e pude sentir o perfume adocicado. Sorria com os olhos quando perguntou:

– Você estava aí?

– Resolvi tomar um sorvete enquanto esperava você escolher.

– Podia ter entrado e ajudado, como fiquei em dúvida… Comprei os dois! Salto 15! Toma… Um é seu!

Com isso ergueu as duas sacolas na altura da cintura e as baixou novamente com uma risada . Passou-me uma delas e me beijou. Um beijo curto e profundo.

– Já disse que seu gloss de morango é grudento, Vivi?

Ela sorriu novamente. Segurou minha mão livre e caminhou rebolante ao meu lado. Imaginei se a ausência de assobios ou comentários seria surpresa ou inveja, mas logo desisti. Passei a prestar atenção nela, que falava alegremente dos sapatos incríveis que tinha comprado. Essa é minha amiga Vivi.

Oração da nutricionista

Queridas nutris,

Que tenhamos, todos os dias… A paciência para ouvir, clareza para responder, destreza para resolver e a tranquilidade para suportar.

Que tenhamos o piso salarial aumentado como merecido, comensais sempre satisfeitos, chefes compreensivos, funcionários prestativos,  as férias cheguem logo e nossa PL seja sempre gorda.

Que nossos pacientes sejam disciplinados, os doces deles afastados, os brócolis sejam amados, as PA’s e HGTs controlados e os hematócritos sempre altos.

Que nossos consultórios vivam cheios, as balanças nunca sejam mentirosas, as fitas métricas não fujam junto com as canetas e os computadores não travem com a pressa.

Que os restaurantes tenham fornos combinados, passtroughs bem regulados, as coifas nunca entupam, os fornecedores sempre pontuais e que nunca falte o feijão nosso de cada dia!

Que as funcionárias sejam cuidadosas, o cloro bem dosado, nunca falte gás no meio da cocção, luz no meio da distribuição e calma no meio da confusão.

Que os comensais nunca pensem que falta sal no arroz, apreciem a sobremesa com moderação e não nos ameacem no estacionamento.

E, Deus, livrai-nos de toda toxinfecção. Amém!!!

31 de agosto: Dia do Nutricionista

Ser nutricionista é: vitaminar planos,
dar energia a sonhos, alimentar idéias.
Carin Weirich

Para comemorar o dia que homenageia a profissão que escolhi , uma menção às amigas que não escolhi. Às meninas que estiveram do meu lado e nunca mais sairam de dentro do meu peito.

Dinha, Lu, Kadi e Lise

Quem não conhece a saga desse quarteto, pode não entender o intuito. Basta saber que somos o QM, o Quadrado Mágico. Somos 4 das 5 partes do Capitão Planeta e, acima de tudo, somos amigas, irmãs, colegas de profissão, embarcamos em uma empreitada atrás da outra em busca do que somos hoje. Moramos juntas, trabalhamos juntas, brigamos juntas, sonhamos juntas, levantamos muitas taças e muitos garfos juntas.

Hoje, estamos longe fisicamente, uma em cada canto desse estado. Quando possivel, fofocamos no chat coletivo do MSN, nas visitas esporádicas e demoramos muito tempo até botar a conversa em dia…

Hoje, bateu a nostalgia. Bateu saudades. Bateu vontade daqueles nossos programas de gorda, com muito pão de queijo, chocolate quente e torta de limão.

Meninas, amotus flores!!!

Lado²

Vamos brindar a uma era que não voltará
Pontilhada por tropeços e pontos de apoio,
aos quatro anos de experiências e ternura,
inúmeras noites de rompimentos e amarulas.

Último brinde de uma etapa…
Ao rito de passagem!
Ao encontro que o destino nos reservou,
aos dias que não deixaremos para trás.

Um brinde à amizade, aos quatro elementos
a quem lutou pela felicidade equilátera
a quem suportou os mais obtusos ângulos
a quem segurou todas as pontas e as fez retas

Brindemos ao quadrado perfeito e suas hipotenusas
aos losângos e paralelepípedos, aos triângulos agudos
à maleabilidade da ligação de meninas tão diferentes
que cresceram e se tornaram mulheres tão sólidas
quanto o próprio quadrado que as uniu!

Sem vocês, essa taça eu não levantaria…

Amo muito as nutris do meu ♥: Lu, Kadi e Lise

Coisas de menina

Ela só tinha 12 anos! Idade difícil…

É só problema que se tem nessa fase. Não era mais tratada como criança, mas também não tinha regalias de gente adulta. Tudo era tão difícil!

A mãe dizia que não tinha mais idade pra correr com os meninos da rua, mas ela não podia beijá-los também. Não era permitido que roesse as unhas, mas também não podia pintá-las. Podia usar sutiã, mas nem pensar em blusa com decote. A parte boa ela não podia aproveitar, só sobravam as ruins. Entre essas ultimas estava: brincar com meninas.

Todas as tardes se reuniam na casa de uma delas. As mães faziam bolos de chocolate, biscoitos ou cachorros quentes. Chás com gosto de capim servidos em xícaras pequenas demais ou refrigerantes sem açúcar.

Sentavam-se no chão do quarto, com a porta fechada, “pra mãe não ouvir”. Ouvir o que? Tudo era tão chato!

Meninas são chatas! Só sabem falar dos artistas da novela e dos meninos da rua. Os artistas de novela eram pessoas que ela nunca conheceria e os meninos da rua ela conhecia desde que nasceu. Qual era a graça nesses assuntos, afinal? Então, passava as tardes sem falar nada. Respondendo, apenas, ao que lhe era perguntado.

Todas carregavam sempre dentro da mochila cor de rosa, um diário ultra-secreto. A mãe comprara um pra ela também e, de fato, ela o carregava para cima e para baixo, como mandava a etiqueta. Mas se perguntava o que as colegas escreviam de tão secreto neles. O dela estava vazio. Não escrevera nem uma linha sequer. Tudo era tão falso!

Um dia discutiam sobre que profissão seguiriam quando fossem adultas. Pra que se preocupar com isso agora? Todas queriam ser modelos, atrizes ou executivas que andassem de terno e pastas de couro. Ela mal ouvia a conversa, perdida em seus próprios pensamentos. Até que alguém a cutucou e repetiu a pergunta. Ela respondeu sem hesitar: “Eu? Vou ser uma daquelas mulheres que vendem jóias na televisão.”

As amigas deram risadinhas e não entenderam qual era a graça em não mostrar o rosto. Se era pra estar na TV, que fosse beijando galã ou com vestidos de gala. E se era pra usar jóias, queriam comprá-las, não vendê-las. Mais uma vez, as meninas a acharam esquisita, mas não perguntaram a ela o porquê da escolha. Voltaram a falar de meninos, nem sequer ouviram quando ela disse baixinho: “Pelo menos, eu poderia usar esmalte!”

Velhas virgens

Elas eram duas.

A primeira se orgulhava de não ser só mais um “hímen rompido”. Era algo que guardava como se fosse uma jóia rara. Ela era do tempo em que meninas usavam fitas no cabelo e as senhoras saias nos joelhos. A segunda também tinha um orgulho, mas diferente da outra, gostava de dizer que era insaciável. Paixão não lhe faltava, era algo como um dom, um talento.

A primeira conheceu um jovem de chapéu panamá e cravo na lapela, que lhe roubou o coração e o pensamento. Era para ele que se guardara e se guardava há 60 anos e, mesmo, quando lhe piscou o olho esquerdo, virou-lhe as costas e sumiu com o violão a tiracolo. Ela nunca deixou que lhe tocassem.

A segunda gostava de toques, era uma espécie de cleptomaníaca de pensamentos. Nunca passava mais do que duas noites com o mesmo homem, achava que seu conhecimento a respeito da anatomia masculina devia ser praticado. Várias foram as ofertas de casamento, mas não havia motivo forte o suficiente para restringir seu leque de possibilidades, com cada um deles aprendera e ensinara algo novo. Além do que, os homens têm a mania de querer tudo pra si e ela queria partilhar o que sabia.

Poderia lhes desfiar as memórias de cada uma, mas seria monótono… A primeira a sonhar todo dia com um único beijo no portão e a outra sem dormir uma noite inteira por mais de 40 anos. Sempre a mesma rotina… Tudo igual e tão diferente!

Hoje, as duas moram juntas, cada qual a seu modo, convivendo harmoniosamente. Só tem uma a outra e o bingo dos sábados à tarde. Ambas sem saber o que é o amor, mas isso não as incomoda. Nenhuma sabe o que perdeu…

Eram duas velhas virgens!

A gaiola de Paiola

Existe o mar de Mariana, mas, no mundo de
Ândria,são os parapeitos que exalam aromas
e os pessegueiros que cantam poesias.

Embora o sol brilhasse, o dia estava frio. O vento soprava constante. Eu atravessava uma das praças do centro da cidade a pensar, olhei para o céu a procura de algum indício de mudanças no clima, mas o que vi foi uma revoada de pássaros lá no alto. Tão lindo vê-los, assim, voando em sua formação de “V” característica.

Encolhi, ainda mais, o pescoço em meu cachecol tentando escapar do vento frio de agosto. Por entre as lentes escuras dos óculos foi que o vi. Um pequeno pássaro cinzento, acabara de pousar nos ladrilhos a minha frente. Instintivamente parei. Não queria assustá-lo. Pensei em contorná-lo e seguir meu caminho. Não consegui.

Fiquei ali parada. Decidi sentar-me num dos bancos de ferro. Estava gelado, mas não importava. Enquanto o observava, pensei em outro passarinho que conheci tempos atrás. Passarinha, na verdade. Era assim que a via, pernas longas e fininhas, penugem castanho-cinzenta, olhos pretos e redondos.

Diferente daquele que passeava bicando aqui e ali as folhas no chão, aquela passarinha estava presa. Em sua gaiola, fizera um ninho para ela e seu filhotinho. Passavam os dias a cantarolar entre suas maçãs e bananas prata. Parecia delicada, mas eu sabia que era mais forte do que se imaginava.

Triste é ver passarinho preso em gaiola, mas não essa menina-mulher. Ninguém prende um espírito livre. Nossa imaginação a manteria longe daquele lugar. Passearíamos por entre os meus pomares, filas e filas de árvores com flores cor de rosa. Ali, mais adiante ia o menino de olhos redondos como os dela. Corria naquele passo que só os pequeninos conseguem. Meio tropicante, meio puladinho.

Eu os via dentro de minha cabeça e não me vi ave de rapina. Seria como na canção, brincaríamos entre os campos das nossas idéias. Hoje, éramos duas passarinhas a voar perdidas. Mas enquanto eu tivesse imaginação, voaríamos juntas.

A dieta da lagarta

Não é que ela fosse velha, mal passara dos 20 anos, mas aprendeu muito cedo a dinâmica dos relacionamentos afetivos. Sempre fora uma das mais jovens nos círculos de amizade, mas era a opinião dela que os amigos pediam quando o assunto era seus amores e suas desilusões. Amadurecera muito cedo e sabia como os apaixonados, ou não, agiam.

Pouco tempo atrás, ganhara uma nova amiga. Uma menina que, como ela, era jovem demais pra seu conhecimento do mundo. Amanda só tinha 15 anos, mas conversava como adulta. As duas se conheceram num chat na internet, nunca se viram pessoalmente e, quem disse que isso importava?

Ela acompanhara o processo do primeiro “apaixonamento” de Amanda. Suas dúvidas e inseguranças, suas certezas e convicções. Quase podia ver os olhinhos miúdos brilhando e o sorriso meio bobo de quem ama. Ele era um menino pouco mais velho, extremamente carinhoso e maduro, que parecia poder acompanhar o ritmo do raciocínio da grande pequena adulta.

Amanda sugeriu à amiga que, como a nutricionista que era, devia prescrever às pessoas a dieta da borboleta, já que era a melhor sensação do mundo. Ambas amavam com os estômagos. Mas a experiência da mais velha dizia que não era bem assim que as coisas funcionavam.

Apaixonar-se não é engolir borboletas. É se alimentar, todos os dias com uma pequena lagarta, que pode ser um sorriso, uma mania esquisita, um poema ou qualquer coisa peculiar que o outro traga. Um dia quando menos se esperar, as lagartas, todas ao mesmo tempo, viram borboletas. Isso é se apaixonar e essa é a dieta da lagarta.