Arquivo do autor:ÂndriaOrtiz

Caso do acaso

Tarde quente na cidade, o outono vinha se achegando aos poucos naqueles dias. O sol convidava para um passeio. Uma roda de violão e chimarrão, na grama do Redenção. Formaram um grupo grande que nas tardes de domingo gostavam da alegria naqueles gramados verdinhos. Difícil era encontrar uma árvore que já não abrigasse um casal, um carrinho de bebê ou uma roda de amigos como a deles.

Trocavam idéias, falavam sobre amenidades. O clima, as baladinhas da noite anterior, as músicas que ouviam. Trocavam mais do que isso. Às vezes, telefones e beijos. Porém esta não era uma delas. Por mais que a loirinha, amiga da amiga do colega de apartamento, estivesse dando um mole. Algo aconteceu para interromper isto.
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Parabéns!

Eu tentei. Mas não tenho nenhuma lembrança de quando era filha única. Minhas memórias mais remotas já tem a presença dela. Era pequena demais para lembrar. Talvez porque temos somente 1 ano e 1 mês de diferença de idade. Bochechas cor-de-rosa. É do que lembro.

Hoje, há 1/4 de século ela nasceu. Sim. Dia em que Cabral encontrou o Brasil. E a cara dela, nascer em uma data histórica. Um dia que lembramos só porque lemos em livros na infância. O que também é a cara dela. Livros. Histórias. Bibliotecas. Silêncio. Tudo atrelado desde sempre. Leia o resto deste post

Abraça-me

Abraça, meu bem.

Abraça-me que o mundo lá fora é uma selva. Que lá tem gente de todo tipo esperando pra nos atacar. Matar ou morrer. É a lei do mais forte. Porque é melhor quem passa por cima de gente. É maior, quem consegue caminhar sem olhar para baixo. Leia o resto deste post

Doce

Sonhei com um abraço apertado. Um desses que não se recebe todo dia, nem de qualquer pessoa. Era um abraço apertado, de quem sente saudades. É de amizade que estamos falando.

Meus sonhos bons sempre são coloridos. Muito coloridos! E sempre tem muita luz e calor, mas esse, em especial, tinha aquela sensação gostosa de aconchego e muito cabelo. Por todos os lados, haviam cachos e almofadas espalhadas pelo chão de madeira. Leia o resto deste post

Pra onde foi?

A falta de sono. Números, números e mais números. A tarde quente de quase-verão O longo trajeto no transporte coletivo. Sexta-feira, 19h. Corredores de um mercado cheio.

Eventos cuja sequencia são de tirar qualquer um do sério. Depois de tropeçar em caixas de leite espalhadas pelo chão, tomar um pisão no pé e tirar 5 carrinhos abandonados no meio do caminho, finalmente, consegui chegar até o freezer das carnes. Leia o resto deste post

Fora do trilho

Era impossível definir-lhe a idade. Pelo rosto de linhas finas e lábios não tão finos assim, diria-se que beirava os 20 anos. Mas seus olhos mentiam, pareciam já estar aposentados. Cansados de ver as coisas da vida, renunciavam a procurar algo que chamasse a atenção no aglomerado de gente que se espremia no metrô.

Eu também estava distraída, até o momento em que ela entrou pela porta e prendeu minha atenção. Não pela roupa que usava, vestia um jeans casual e tênis esportivos. Mais uma adolescente entre outras milhares. Comum e nada extraordinária. Não usava perfume, mas pude sentir cheiro de amaciante de roupas. O frio lá fora obrigava que usássemos casacos. Nada muito pesado, só o suficiente para nos proteger do vento que insistia em jogar-lhe uma mecha de cabelo sobre o nariz. Leia o resto deste post

Tardes de menina

Sentada diante de um volante, presa no engarrafamento há 50 minutos, ela sentiu falta daqueles dias felizes da infância.

O pai e o tio trabalhavam juntos em uma oficina automotiva, só os dois. Então, no verão, a mãe a deixava ir com o pai para o trabalho. Sair do apartamento pequeno era bom. Ia com a irmã mais nova e a prima mais nova ainda. Deviam ter no máximo 4 anos e ela era a mais velha e, portanto, a responsável pelas duas pequeninas. Talvez não, mas ela gostava de pensar que sim. Leia o resto deste post

Leve!

Eles eram diferentes. Sempre foram, mas não perceberam. Ou perceberam, mas fingiram não ser importante. Tinham um ou outro gosto parecido, mas tinham uma afinidade indiscutível: gostavam um do outro.

Sempre gostaram. Desde o primeiro momento em que se viram.Bom, pelo menos no momento em que ela o viu, gostou. Energia. Das boas, muito boas. Conversa vai, conversa vem. A coisa fluiu legal, sem pressa, sem pressão. Tudo ao seu tempo. Leia o resto deste post

Paradoxo

Desde menina ela corria a frente do tempo. Sempre que perguntavam, dizia que tinha um ano a mais do que seu registro de nascimento afirmava. Meses antes de seu aniversário, já assumia a nova idade. Não sabia, exatamente, quando começara com isso. O fato é que lá estava o hábito.

“Coisa de criança” diziam os mais velhos. Afinal, elas é que tem vontade de crescer logo ou de aparentar mais velhas do que eram. O problema é que seu corpo lhe desmentia. Sempre fora a menor da turma. A mais nova também. Talvez por isso, quisesse que o tempo passasse logo. Queria alcançar as amigas. Ser da mesma idade que elas e desenvolver o corpo como o delas. Escondera-se demais em calças largas, que aumentavam quadris e blusas que simulavam volume onde não existia. Uma ilusão de ótica falha, que não enganava nem o espelho, quanto mais outras pessoas. Leia o resto deste post

A formiga e a cigarra

Era uma vez uma formiga carpideira. Dessas cujo trabalho no formigueiro é buscar coisas. Passa o dia a caminhar no sol para juntar coisas. Não pode ver um pedacinho de madeira podre, já corre pra buscar. Uma pedrinha reluzente? Boa pra carregar. Areia!!! Lindo, vou já levantar. Leia o resto deste post

Amanhecer

Amanhecer em São José do Norte, upload feito originalmente por Andria Ortiz.

Esta foto é antiga. Feita no feriado do Carnaval de 2007, em um dos lugares mais lindos que já vi: São José do Norte. Uma pequena cidadezinha do sul do Sul do Brasil que fede a peixe e a cebola. Feiozinha como a maioria das comunidades pesqueiras, mas um tanto bucólica. Povo simples e simpático.
Passamos um feriado delicioso em família. Choveu muito, o mar estava de ressaca,ventava demais, haviam muitas mães d’água pela praia e frio, muito frio. Praia era impossível. Celular só tinha sinal se nos pendurássemos pela janela de um dos quartos da pequena casa alugada na Praia do Mar Grosso. A solução? Convivermos em família durante dias a fio. Muito carteado, muita conversa e cobertores. É, gente! Faz frio no verão do Rio Grande do Sul.
Sol, mesmo, somente no último dia. Óbvio!
E essa foto foi feita as 6h da manhã, esperávamos a balsa que chegava de Rio Grande num esquema de “bate e volta”. Se clicares nela, cairás na página do Flickr onde está hospedada. Lá verás que foi feita com uma câmera compacta. Dessas que compramos em qualquer loja de eletroeletrônicos. Não conhecia nada sobre técnicas fotográficas, nem tinha um equipamento espetacular e, no entanto, ficou boa. Tratamento mesmo, só para avivar as cores.  Fotografia é muito feeling, muito coração, muito “a visão do artista”.
Acho que os dias de calmaria expandiram meu olhar, abriram minha cabeça e clarearam pensamentos. Neste dia, o mar se tranquilizou, o céu ficou azul e nós voltamos mais unidos. Um final de semana ruim para “veranear”, mas bom para amadurecer.
Em todos os sentidos!

Gordos

Ele foi olhar a caixa do correio e encontrou o milésimo panfleto de propaganda do último mês. Outra pizzaria. Continha as mesmas informações básicas: sabores, tamanhos, horário de atendimento, localização, o site e o telefone para contato.

Ela, sentada no sofá, olhou de relance e disse: Leia o resto deste post