Parabéns!

Eu tentei. Mas não tenho nenhuma lembrança de quando era filha única. Minhas memórias mais remotas já tem a presença dela. Era pequena demais para lembrar. Talvez porque temos somente 1 ano e 1 mês de diferença de idade. Bochechas cor-de-rosa. É do que lembro.

Hoje, há 1/4 de século ela nasceu. Sim. Dia em que Cabral encontrou o Brasil. E a cara dela, nascer em uma data histórica. Um dia que lembramos só porque lemos em livros na infância. O que também é a cara dela. Livros. Histórias. Bibliotecas. Silêncio. Tudo atrelado desde sempre.

Eu vejo bochechas! Várias!

Eu vejo bochechas! Várias!

“Crianças não ficam em silêncio!”

Ficam! Crianças que lêem, silenciam. Crianças que tem o silêncio dentro de si, pensam. Pensam e viajam dentro das próprias cabecinhas imaginativas. E tenho certeza que é esse o motivo de nunca repetirmos uma brincadeira. Todo dia, as comidinhas de barro e os sucos de capim tinham sabores diferentes. As bonecas não viviam rotina. Caixas de papelão viravam castelos. E pneus de caminhão viravam camas elásticas.

Dumbo, Rei Leão e Mary Poppins. Karatê Kid, chute no nariz e frigideiradas. Scooby Doo, o Nino, a Celeste e Pingo, o pinguim mudo. A Medéia, um morceguinho irritante e Mara Maravilha. A Emília, o Visconde e o Reino das Águas Claras. Personagens da infância compartilhada. Fomos crianças juntas. Juntas, criamos brincadeiras que ninguém entendia. Porque ninguém entendia o que ela queria. Tradutora eu fui desde pequena. Guarda-costas eu fui. E irmã mais velha sempre serei.

Hoje venho comemorar mais um ano dela. Da irmã que não é gêmea por mera questão cronológica. Ela, que hoje, é tão diferente de mim. Que traçou o próprio caminho e não precisa de mais ninguém que bata nos meninos para protegê-la. Que aprendeu sozinha a se defender e segue a passos largos o próprio caminho. Naquele ritmo meio preguiçoso, é verdade, mas que é só dela.

Parabéns, irmãzinha! E obrigada por partilhar comigo tantas histórias. Estamos longe, mas se precisar, grita! Que eu corro e agarro um pelos cabelos!

Beijos, Val!

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Sobre ÂndriaOrtiz

"Ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar." Caio Fernando Abeu

Publicado em terça-feira, 23 23UTC abril, 2013, em crônicas. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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