A formiga e a cigarra

Era uma vez uma formiga carpideira. Dessas cujo trabalho no formigueiro é buscar coisas. Passa o dia a caminhar no sol para juntar coisas. Não pode ver um pedacinho de madeira podre, já corre pra buscar. Uma pedrinha reluzente? Boa pra carregar. Areia!!! Lindo, vou já levantar.

No alto da árvore, uma cigarra espreitava. Observando, dia após dia, a formiga trabalhadeira. Num corre-corre pra lá e pra cá. Uma tarde resolveu perguntar: qual o motivo de tanta pressa, amiguinha?

– My precious…

Enquanto arrastava uma folha 3 vezes maior do que suas perninhas, a carpideira disse num fôlego só: “Preciso guardar, são coisas valiosas! Tem que juntar pra quando o inverno chegar!”

“Inverno”, pensou a cigarra e voltou a cantarolar. Voava dali para aqui. Alimentava-se e era feliz. Cantava lá no alto, sem preocupações, a história da “formiguinha-corredeira”, sua amiga trabalhadora.

A pequena que corria, cortava, carregava e atulhava o esconderijo. Comida para o formigueiro, pedrinhas para um cantinho debaixo da árvore. Longe dos companheiros, ela admirava. E a cigarra obsevava.

Num belo dia de verão. O céu azul, o sol no alto, a formiga errou o caminho. Saiu da grama e subiu na soleira de uma porta. Sentiu dedos gosmentos a apertá-la.

- Óum, que bonitinha...

- Óum, que bonitinha...

Lá no alto do pessegueiro, a cigarra a cantarolar. Viu a chuva chegar e os valiosos pertences da amiguinha morta serem arrastadas pela água. Só chegou a uma conclusão: “de que adiantou, amiguinha? De que adiantou? Morrerei um dia, mas morrerei de tanto ser feliz!

E a única coisa que conseguia dizer era:

Que dó! Que dó! Que dó da ‘fumiguinha’…

Moral da história:

Corra, trabalhe, junte mais e mais coisas. Um dia tu vais morrer e vai ficar tudo onde deixaste. O tempo se encarregará de dar um destino a elas por ti.

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Sobre ÂndriaOrtiz

"Ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria acreditar." Caio Fernando Abeu

Publicado em terça-feira, 11 11UTC outubro, 2011, em crônicas e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Então… é o que eu vivo dizendo. Viver o hoje, o mais possível.

  2. É… Acontecimentos recentes só reforçaram o que eu já sabia. É bem isso daí! E, por isso que eu disse, que teu texto veio a calhar hoje. ;D

  3. Ainda não sei se sou cigarra ou formiga.

  4. Talvez, o bom mesmo, seja ser um pouco os dois…
    Eu sou borboleta! ;D

  5. Nossa, eu adoro borboletas ÂndriaOrtiz, suas asas lindas, olhos cativantes, e corpinho esbelto, me apaixonei de vez. kkkkkkkkkkkkkk

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