Arquivo mensal: outubro 2010

Mãe de oito

De alguma maneira estranha, eu me tornei mãe de oito pequeninos. Não me tomem por promíscua, mas uma vida é longa o bastante pra se ter quantos filhos se quiser. Nem sempre eu os quis, mas como os rejeitar depois que já estão a caminho? Leia o resto deste post

Alpinista

Uma crise de insônia se instala na minha madrugada de sexta-feira, não há nada de aproveitável na televisão pra se ver… No rádio, aqueles mesmos programas de depois das 3 horas, tocando aquelas mesmas músicas de sempre. Falta paciência para ouvir a Whitney cantando, pela ducentésima octogésima sétima vez, a trilha do filme aquele… O corpo cansado não resistirá por muito tempo, mas fervilham milhões de idéias no silêncio ensurdecedor da minha cabeça. Leia o resto deste post

As escolhas de Nuno

 

Era uma vez, um rapaz chamado Nuno.

Quando Nuno tomava uma decisão, não havia ninguém que o fizesse mudá-la. É uma característica notável e de grande valia, mas o homem era radical. Há anos, ele só tomava sorvete de pistache, só ouvia MPB e não bebia nada, além de suco de caju. Também não viajava a lugar algum, nunca saira de sua cidadezinha no interior. Não usava telefone celular e tomava três banhos por dia. Leia o resto deste post

Tranquilidade

Eu e meus sonhos estranhos com pessoas aleatórias. Desta vez, sonhei que chovia. Não era uma tempestade, era mais como a chuva fina e constante que cai durante grande parte do ano na cidade.

Lembro de sentir sono, muito sono. Arrastava as pernas enquanto descia as escadas e seguia o fluxo de alunos barulhentos. Os olhos mal conseguiam se manter abertos, mas conhecia tão bem aqueles corredores, que poderia andar por eles sem, de fato, vê-los. Além de um livro, carregava o antigo fichário preto, bordado em letras cor-de-rosa. Era um fardo pesado e eu estava cansada. Leia o resto deste post

E ontem…

.

 

No quarto dele…


…ela não pode conter o  pensamento,
“certas coisas são como andar de bicicleta”
mordeu o lábio e quase gritou:

─  Olha, sem as mãos!

A permanência

Ela ficou.

Pensou muito a respeito e decidiu ficar. Disse não a proposta irrecusável de emprego e abandonara a grande oportunidade de sair da cidade natal. Ela sempre quisera ir, mas esse não era o momento.  A vida ali, não era a que ela queria, mas não se sentia pronta para deixar os pais, os amigos, o namorado e o conforto de sua casa. Leia o resto deste post

A partida

Ela foi.

Pensou muito antes de tomar a decisão, mas acabou indo. Todas as pessoas que lhe importavam diziam que ela deveria ir. Uma oportunidade dessas não bate duas vezes na porta, mas isso ela só entenderia muito tempo depois. Empregos não caem do céu e ela deveria ter desconfiado desde o inicio. O que vem fácil, vai fácil, não é o que dizem? Leia o resto deste post

A passarinha

Sempre gostei de aves. Na visita ao zoológico, o favorito foi o avestruz. O colega da escola tinha um papagaio desbocado! E o vizinho do outro lado da rua, era um velho meio ranzinza, mas tinha um tucano. Já viu um tucano de perto? É lindo! Aves são incríveis.

Num belo dia, minha irmã ganhou uma cocota, ou caturrita, como chamam aqui no sul. Logo foi batizada de Magali Wilson. Magali porque comeu vorazmente um pedaço de melancia que lhe foi dado, embora gostasse mesmo era de bergamota. E Wilson por parecer uma bolinha de tênis, quando se acomodava para dormir. Leia o resto deste post

“Anchored”

Sempre gostei de animações.

E como ando meio atrapalhada pra escrever, sem conseguir concatenar os pensamentos, deixo uma das minhas animações favoritas aqui. A trilha é perfeita, os personagens engraçadinhos e a mensagem é linda!

Assistam e tirem suas próprias conclusões.

 

 

Marido ciumento

Enquanto ele gritava e gesticulava, como só os italianos conseguem fazer, ela esperava sentada na poltrona. A raiva fazia latejar as têmporas e enrubescer o rosto do marido. Andava de lá para cá, como se não pudesse ficar parado.

Na verdade, discursava. Qualquer político morreria para ser efusivo como ele era. Energia despendida com fervor. Palavras eram arremessadas sem piedade. Atravessando o curto espaço entre eles, chegando a poltrona onde ela se encontrava. Leia o resto deste post

Meu menino

Há um lugar em que passado, presente e futuro se confundem. O agora, o nunca e o talvez, jamais tomam forma. O dia, a noite, o nascer e o pôr-do-sol são tudo uma coisa só. O tempo não existe, as vozes são mais vivas e as imagens mais coloridas.

Os sonhos. Leia o resto deste post

Corpo são, mente…

Ela era do tipo de mulher competitiva. Nada, nem ninguém era páreo para seu ego. Nunca entrava em briga que não pudesse ganhar e não havia muitas brigas que ela recusasse.

Todos os dias, calçava os tênis, prendia o mp3player na braçadeira e saía para correr. Tinha um trato com seu corpo. Corria para o mais longe possível, até que as pernas não pudessem dar um passo a mais e os pulmões estivessem prestes a explodir. Depois disso, diminuía o ritmo e caminhava até restabelecer seu controle. Só então, ia até o ponto de ônibus para voltar. Leia o resto deste post